1917...E o Oscar 2020

Atualizado: Mar 2

Por ISABELLA MOTA

“There’s only one way this will end... Last man standing”

Sam Mendes, 2019


Do diretor de Beleza Americana (1999), Foi Apenas um Sonho (2008), 007 Operação Skyfall (2012) e 007 contra Spectre (2015), 1917 é um filme que se passa na Primeira Guerra Mundial, no qual dois soldados precisam atravessar território inimigo e entregar uma mensagem que pode salvar as vidas de 1600 soldados britânicos.


Apesar de possuir uma trama simples, o filme impressiona com sua direção e fotografia, com o desafio que se lança desde o início de se fazer um filme que se pareça uma longa e única tomada, tendo poucos cortes, e estes feitos de forma imperceptível.


Sam Mendes conta que até ter a ideia para esse filme, recebia roteiros e roteiros e nenhum lhe interessava particularmente, até que lhe deram a ideia de escrever e produzir algo próprio. Então se recordou de histórias de guerra que seu avô lhe contou, entre elas a de quando lhe foi dado o papel de mensageiro através da terra de ninguém durante a Primeira Guerra Mundial. Com essa ideia na mente e a vontade de fazer um filme de plano único, se juntou com Krysty Wilson-Cairns para escrever o roteiro e deixou Roger Deakins (Um Sonho de Liberdade, Blade Runner 2049, Skyfall, Fargo) responsável pela fotografia.

Durante a produção do filme, foram necessários seis meses de ensaios com os atores nas locações, até mesmo antes destas serem montadas propriamente, pois seus movimentos precisavam ser mapeados, mensurados, para que pudessem saber quanto tempo eles ficariam em cada locação durante a cena, e até mesmo para saber qual o comprimento de trincheiras precisariam construir, que acabou sendo mais de 1500 metros. Cada tomada precisava ser coreografada, e de modo que os passos dos atores não parecessem ensaiados.

Quanto ao clima, quando se filma ao ar livre, geralmente se espera tempo bom e ensolarado, porém para filmar 1917 para que se preservasse a mise-en-scene e a continuidade, eles esperavam o sol se esconder e rezavam por um tempo nublado. Outro desafio veio com a iluminação, que precisou ser a mais natural possível, pois para carregar iluminação artificial ao longo de uma tomada de até oito minutos sempre em movimento seria quase que impossível.


Em uma cena em especial, que se passa no meio de várias ruínas e iluminada por sinalizadores, ela foi antes de tudo planejada em maquete, para que se entendesse as sombras que essa fonte de luz formaria, como manipular essas sombras para criar um efeito específico, quanto tempo levaria para iluminar tal ponto e muito mais, bem antes de montar as ruínas em tamanho real.

Sam Mendes traz em 1917 a visão da Primeira Guerra Mundial que seu avô lhe passou, uma guerra cheia de horrores, não de bravura, um filme que se propõe ser imersivo, como se o público estivesse nas trincheiras com esses dois soldados desconhecidos, experienciando a carnificina da guerra, seu caos e o ‘heroísmo acidental’.


Conta com a atuação de George MacKay que, de acordo com Sam Mendes, traz uma performance à moda antiga e íntima, e Dean Charles Chapman, um ator incrível e instintivo. Seus personagens se conectam pela experiência e pela vontade de ver tudo isso acabar e irem para casa. Eles lutam para impedir um grande conflito, não para infligir um novo.


Como coadjuvantes, o filme conta com Colin Firth, Benedict Cumberbatch, Mark Strong, entre outros. Com a cerimônia do Oscar acontecendo hoje à noite, dia 09/02 às 22h, 1917 concorre como Melhor Filme, Melhor Fotografia, Melhor Direção, Melhor Design de Produção, Melhor Edição de Som, Melhor Roteiro Original e mais.


Onde suas maiores chances de ganhar podem estar em melhor filme, direção, fotografia, edição e design de produção. No roteiro, ganha alguns pontos de originalidade por se tratar de um filme de guerra que não se passa na Segunda Guerra Mundial nem na Guerra do Vietnã, porém não tem muitas chances de ganhar, competindo com Entre Facas e Segredos, História de um Casamento, Parasita e Era Uma Vez Em… Hollywood.

Mesmo sendo um ótimo filme, ainda se levantam críticas sobre que tipo de cinema os Oscars geralmente premiam. E um filme de um diretor britânico e branco sobre homens na guerra se encaixa direitinho no padrão de Hollywood, então suas chances de levar alguns dos maiores prêmios é muito grande. Este ano o Oscar volta a ser alvo de críticas por falta de diversidade nas principais categorias. Oito produções da Netflix estão presentes, sendo o estúdio com mais indicações nesta edição do Oscar.


Entre os indicados por melhor atuação, encontramos uma só atriz negra (Cynthia Erivo) disputando o prêmio de melhor atriz pelo filme Harriet. Como novidade temos um filme sul coreano (Parasita) com seis indicações, incluindo Melhor Direção, Melhor Filme, Melhor Filme Estrangeiro, entre outros, sendo que um filme estrangeiro nunca ganhou o prêmio de Melhor Filme. Em direção somente homens, na sua maioria brancos, foram indicados. Em Melhor Documentário, Democracia em Vertigem, um filme da diretora brasileira Petra Costa, ganha seu lugar.

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