A CHAVE

Por ROBERTO NAVARRO

Coluna Estrada das Lágrimas

Em alguns momentos de meu trabalho eu participava de grupos de Saúde Mental onde se reuniam pessoas para discutir problemas ou até mesmo ouvir histórias de pessoas que queriam se abrir, e assim fazíamos uma troca de experiências entre o grupo. Entre tantas histórias vou contar uma interessante, de uma pessoa que através de um simples objeto mudou sua vida.


Gerson era um homem magro, alto, cabelos castanhos e com um sorriso acolhedor, na faixa etária entre 30 e 40 anos. Era o tipo de pessoa bem simples, de pouco estudo, mas se expressava muito bem. Nesse dia do encontro estava ansioso por contar sua história, mas outras pessoas também queriam contar as suas e assim o grupo fez uma votação e escolheu a de Gerson. A votação acontecia após cada participante interessado em contar sua experiência, fizesse um breve relato do que gostaria de contar e assim a de Gerson foi escolhida.


Gerson nasceu em uma cidadezinha bem pequena no interior do nordeste, sua família com pouquíssimos recursos morava em um casa muito simples. Eles e os irmãos cresceram cuidando da plantação que tinham em casa e vendiam na cidade, mas se não fosse a própria plantação, passariam fome.


Ele relatou que uma de suas distrações era a televisão e em algum momento começou a assistir um programa religioso onde mostravam uma chave. “A CHAVE” da vitória, e quanto mais assistia, mais criava força para pegar essa tal chave que lhe traria a vitória e o sucesso. Ficava às vezes até a madrugada assistindo aquele programa de TV.


Como não tinha recursos para viajar de imediato, como era sua vontade, começou a trabalhar mais e tentar juntar uma quantia para que pudesse viajar, pois a chave estava muito longe de sua cidade, a pelo menos três dias de viagem de ônibus. E depois de um tempo conseguiu juntar a quantia necessária e comunicou sua mãe o seu sonho. Como toda mãe, ela achou uma loucura, mas ele era um adulto e no fundo ela pensava.... “quem sabe esse é o caminho”.


Juntou o recurso e a coragem e seguiu viagem rumo “A CHAVE” do seu futuro. Pegou o ônibus e sentia uma mistura de felicidade e medo mas só pensava na chave. A chave era o que lhe dava forças, era o que mantinha a sua esperança de melhorar de vida. Após horas de viagem muito cansativa, Gerson chegou em uma cidade grande, muito diferente da sua. Confessou que quase voltou para casa. Aqueles prédios, centenas de pessoas de um lado para outro, tudo aquilo era novo e complexo para quem havia vindo de um mundo bem pequeno com poucas pessoas e muita natureza, mas a vontade de conseguir a chave era maior que o medo.


Como não conhecia ninguém e não tinha recursos para se alojar, ficou próximo a rodoviária por alguns dias, nas ruas mesmo, até que encontrou um morador em situação de rua que informou que nesta cidade haviam equipamentos sociais (albergues) onde ele poderia ficar sem custo algum. Podia se alimentar, dormir numa cama, tomar seu banho e assim ele fez. Todos os dias ia até o albergue e aguardava vaga para passar a noite. Durante dia tentava arranjar um trabalho pois não conseguia pedir nas ruas. Se alguém oferecia comida ou dinheiro, aceitava, mas pedir esmolas, não.


E os dias foram passando, e não conseguia assistir aquele programa da chave e não sabia como chegar no local.


Resolveu então se abrir com alguém e contar sua trajetória para quem sabe, ser ajudado. E escolheu uma pessoa com cara de “gente boa”, sempre lendo algum livro ou a bíblia, para contar o que veio fazer naquela cidade. E Gerson não podia ter escolhido pessoa melhor, pois essa pessoa, o Renato, era evangélico e deu todo apoio ao Gerson e lhe mostrou uma coisa que ele ficou paralisado. Renato tirou de seu bolso “A CHAVE” !!!!!


Gerson ficou espantado, surpreso e curioso. “Como aquela chave poderosa poderia estar ali no bolso do novo amigo que estava ali na mesma situação que ele?”, se perguntou. Em segundos, várias coisas passaram em sua cabeça… Tudo era um engano?? Veio para esta cidade à toa? Cadê o sucesso do amigo?


Por um momento tudo ficou confuso mas seu novo amigo percebeu sua decepção e espanto e começou a explicar que aquilo era um objeto, porém a Fé transformaria aquele objeto em uma força de vencer as dificuldades. Depois de escutar a história de Gerson ele disse: “Gerson, você tem noção de todo esforço e dificuldade que enfrentou para chegar até aqui? Isso não é Fé? Você já não começou sua transformação!”


Gerson ficou pensando no que Renato havia dito e chegou a mesma conclusão. Se não fosse a chave talvez estaria naquela casa simples sonhando com um futuro melhor e a vida passando e nada acontecendo, assim como fora a de seus pais. Então criou força novamente e decidiu que iria buscar a chave, mas agora com a clareza que a chave era um objeto, mas a força estava dentro de si. Gerson terminou a história dizendo que nunca se arrependeu do que fez e que sua vida se transformou realmente. Hoje está empregado, juntando recursos para alugar uma casa (pois ainda estava no albergue) e viver a vida que sonhara antes.


E nesse momento todos perguntaram: “Mas você conseguiu pegar a chave?” Ele deu um sorriso, se levantou e tirou do bolso o seu troféu: a CHAVE que mudou sua vida.


Fiquei pensando… independente da religião, o que move um ser humano é a FÉ que ele sente, isso traz a força, coragem e determinação para alcançar um sonho, um objetivo. A magia que Gerson buscava e pensava que estava na “Chave”, na verdade estava dentro dele, assim como está dentro de nós. Para Gerson, o objeto foi o que desencadeou a força interior e determinação.


Então meus amigos, procure “A CHAVE” do seu sucesso!!!!!!!


Coluna Estrada das Lágrimas

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