A crise da dívida estudantil está esmagando o empreendedorismo

Atualizado: 17 de Fev de 2020

Por EDUARDO LADEIRA MOTA

Em 2011, algo sem precedentes aconteceu. Os níveis do endividamento dos estudantes dos Estados Unidos ultrapassaram a marca de US$ 1 trilhão. Para colocar isso em perspectiva, o graduado médio de uma faculdade que tomou empréstimos para financiar sua educação de 2007 a 2011 deixou a escola com um diploma, um abraço de seus pais e cerca de US$ 26.500 em dívidas de empréstimos.


E de lá pra cá não ficou nada melhor. Agora, os níveis de endividamento dos estudantes estão em torno de US$ 1,5 trilhão, o que significa que o mutuário médio agora deve cerca de US$ 34.000 após a formatura.


Quais são as implicações sociais do enorme e ainda crescente ônus da dívida estudantil dos EUA? Muitos, de acordo com economistas. Os dados sugerem que os jovens americanos estão entrando no mercado imobiliário mais tarde, têm maior probabilidade de morar com os pais, têm menos filhos e têm menos probabilidade de contrair empréstimos de carro.


Novas pesquisas publicadas na revista Management Science exploram ainda outro efeito da crise da dívida estudantil: uma redução na atividade empreendedora. Uma análise conduzida por Karthik Krishnan e Pinshuo Wang, da Northeastern University, constatou que um aumento na dívida estudantil de até US$ 10.000 reduziu a probabilidade de empreendedorismo da população mais jovem em 1,4%.


Os pesquisadores sugerem que isso é um sério motivo de preocupação.


"O empreendedorismo tem sido um mecanismo forte e confiável de crescimento econômico e emprego", afirmam os pesquisadores. "Por exemplo, [...] empresas com menos de um ano e que tenham de um a quatro funcionários criaram, em média, mais de 1 milhão de empregos por ano nas últimas três décadas."


Para chegar a essa conclusão, Krishnan e Wang examinaram os dados do Inquérito às Finanças do Consumidor (SCF). O SCF é uma pesquisa nacional encomendada pelo Federal Reserve a cada três anos e faz aos participantes uma série de perguntas sobre finanças familiares.


Duas dessas perguntas eram de particular interesse para os pesquisadores: (1) se alguém iniciou um negócio e (2) o valor da dívida estudantil.


Analisando os dados dessas duas perguntas, os pesquisadores descobriram uma forte relação entre a propensão dos indivíduos para iniciar um negócio e seu nível de endividamento familiar. Em 1992, por exemplo, 25% dos entrevistados entre 18 e 25 anos relataram ter iniciado um negócio. Além disso, em 1992, os níveis de dívida estudantil nessa faixa etária eram inferiores a US$ 10.000 por indivíduo (em termos reais). Em 2013, apenas 14% das pessoas entre 18 e 25 anos relataram ter iniciado um negócio, enquanto os níveis de dívida de seus alunos se aproximavam de US$ 25.000.


A correlação, é claro, não implica causalidade. Então, os pesquisadores testaram em seguida se eles poderiam identificar um elo causal entre o crescente ônus da dívida dos estudantes e a redução da atividade empreendedora. Para fazer isso, eles examinaram o efeito da legislação aprovada em 1998 que tornava os empréstimos para estudantes completamente "não-descarregáveis" (isto é, não podiam ser eliminados por meio de um processo de falência). Eles descobriram um declínio considerável no empreendedorismo em resposta à mudança legislativa, sugerindo que as considerações sobre empréstimos estudantis poderiam, de fato, estar causalmente ligadas às decisões dos indivíduos de buscar o empreendedorismo.


Os autores concluem: “Dados os níveis significativos de empréstimos estudantis pendentes (mais de US$ 1 trilhão) e seu impacto potencialmente significativo no empreendedorismo, nossos resultados refletem um fenômeno importante. Os formuladores de políticas demonstraram interesse em como as atividades de iniciação de recém-formados são afetadas pela dívida dos estudantes. Somos um dos primeiros estudos a fornecer evidências empíricas sobre esses custos. ”


(Este artigo foi originalmente publicado pela revista Forbes.)


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