A IMPERDÍVEL SEMANA SANTA ESPANHOLA NÃO ACONTECEU

Por MIRIAM DUTRA


É fato que essa pandemia padrão “Século-XXI” pegou todo o mundo desprevenido. Não apenas por sua eclosão em si, mas pela rapidez e pela força com que se propaga, como aquela velha brincadeira com os dominós, na qual enfileirávamos dezenas de peças e nos divertíamos, vendo-as se derrubando, vertiginosamente, uma a uma, até estarem todas caídas sobre o piso.


Em fevereiro – há apenas dois meses, portanto! – falávamos do vírus corona como uma coisa exótica, num ponto perdido da imensa e desconhecida China. Isso éramos nós, cidadãos comuns, desprovidos de informações e de redes oficiais ou informais para colhê-las. Mas os governantes tinham obrigação de saber o que ocorria lá, deveriam fazer planos urgentes para prevenir sua chegada e consolidação em nossas cidades.


De repente, aqui na Espanha, o mundo desabou. As pessoas foram expulsas das ruas, confinadas a cárceres privados em seus próprios lares. As últimas três/quatro semanas foram dignas de um filme de terror – levando as autoridades a admitirem que se equivocaram e a pedir perdão por isso. E, sem alternativa, a prorrogar o confinamento geral, cujo término, agora, está previsto para o mês que vem.


Tudo que deveria estar nas mãos dos agentes de saúde desde o momento em que o quadro se definiu, só agora está chegando em níveis adequados – coisas básicas, como testes, máscaras pessoais, equipamentos para auxiliar a respiração dos infectados. Isso deveria ter sido providenciado assim que se identificou a real causa-mortis do primeiro paciente vitimado pelo Covid-19, em fevereiro, em Tenerife.


Agora, oscilamos entre o terror das medidas desesperadas e a fugaz alegria de ver eventuais quedas nas estatísticas macabras. De mil mortes no último final de semana, estamos chegando a 500 – e os números referentes a pacientes curados também começam a se avolumar.


Mas isso não afasta a perspectiva de caos humano, social, político e econômico no resto de 2020 (e estamos apenas em seu quarto mês!).


A União Européia vai arrasando suas reservas, de centenas de bilhões em centenas de bilhões de Euros. A hora, realmente, é de gastar o que for preciso para evitar uma peste semelhante à de um século atrás (a “espanhola”), mas não podemos deixar de prever o caos que se avizinha.


Estaríamos nos preparando, hoje, para a felicidade e as riquezas da alta temporada, o turismo de sol e praia, o VERÃO. Mas, a promessa real é de zero movimento e, portanto, zero faturamento, zero de arrecadação e de circulação de riquezas. E isso nos deixa, hoje, confinados, tomando ansiolíticos para não perder a lucidez.


Os otimistas garantem que tudo vai passar e o sol vai brilhar novamente.


Os pessimistas choram pelas mortes e lamentam pelas perdas econômicas.


Os realistas avisam: está só começando.


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