A LIBERDADE DE AMAR

Por BENTO CRUZ


Ser livre para apaixonar-se por quem quer que seja e ter o direito viver uma vida ao lado desta pessoa, este foi o desafio que meus avós tiveram que enfrentar. Ele, filho de fazendeiro, ela uma índia potiguar.


Provavelmente ela era da região onde hoje localiza-se o bairro de Igapó, na Zona Norte de Natal e da mesma tribo de Clara Filipa Camarão, uma índia que tem o seu nome no “Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria”, obra que fica no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, monumento localizado na Praça dos Três Poderes, em Brasília e que reúne nomes de brasileiros considerados fundamentais em acontecimentos históricos da nação.


Da relação dos meus avós, nasceram nove filhos, sete homens e duas mulheres. Um deles, o meu pai, recebeu o nome de Galdino, nome este que era comum entre os índios.


Eu fico imaginando os comentários da época sobre a relação dos dois. Provavelmente devem ter enfrentado algum tipo de preconceito, mas seja como for, eles souberam superar e criar sua família.


Não cheguei a conhecer minha avó, nem os meus bisavôs, mas guardei no coração a questão de que as pessoas devem ser livres para escolherem com quem se relacionar.


Com os meus filhos, procurei, dar a eles a liberdade de poderem escolher quem amar. Claro que algumas raras vezes, principalmente quando me perguntavam sobre suas escolhas, eu comentava algo, mas normalmente era em função de ver os futuros problemas, que eles teriam que enfrentar, mas mesmo assim, sempre falei: quem vai conviver com ela(e) é você.


Penso que não poderia ser diferente. Meus avós quebraram paradigmas da época. E como eu sou um fruto desta história, aprendi desde cedo a respeitar as escolhas do coração.


Aprendi a importância da liberdade de amar.

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