A vida na pauta do Setembro Amarelo

Atualizado: 17 de Fev de 2020

Por LUCINEIDE CRUZ E ALEANDRO ROCHA*


Setembro intensificou-se em favor da vida. O chamado “Setembro Amarelo” alertou para a necessidade de mais conscientização e políticas públicas na luta para tratar pessoas com ideação suicida. O tema destaca-se como saúde pública e aponta um percentual cada vez maior de pessoas que precisam de ajuda profissional.


A Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 12 mil brasileiros tiram as próprias vidas a cada ano. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) o suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos. O Brasil está entre os dez países com maior número de casos.


Pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Paulo (UFSP) apontou um aumento de 24% no número de suicídios entre os jovens brasileiros. O estudo considerou os anos entre 2006 e 2015.


A Organização Mundial da Saúde ressalta que mais de 90% dos casos de suicídios estão ligados à depressão, à esquizofrenia e ao consumo excessivo  de álcool e outras drogas. A popularização da internet, a desigualdade social e o desemprego influenciam a depressão e consequente comportamento suicida, apontam estudos.  Pessoas que foram alvo de bullyng na infância ou sofreram abuso sexual também são mais suscetíveis ao suicídio.


Esse cenário nefasto ressalta que as vidas em risco exigem a passagem do silêncio para o esclarecimento e a prevenção ao suicídio. É preciso conscientizar a população sobre o tema.  Diversas famílias temem que um de seus membros pratique o ato, mas nem sempre sabem como agir ou ajudar. Por isso é preciso estar atento aos sinais.


Ferramentas estão sendo pensadas na luta por essas vidas, como a Lei nº 13.819-2019. O dispositivo instituiu a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio. Com ele é possível garantir “assistência psicossocial das pessoas em sofrimento psíquico agudo ou crônico, especialmente daquelas com histórico de ideação suicida, automutilações e tentativa de suicídio”.


O isolamento, os excessos e as automutilações podem ser sinais de que a pessoa precisa de ajuda. Muitas se utilizam do comportamento suicida como forma de pedir socorro,  em diferentes períodos da vida. Estima-se que cerca de 60% das pessoas que cometeram o ato nunca buscaram a ajuda de um profissional.


Diferente do que se pensa, essas pessoas não desgostam da vida, elas apenas não estão conseguindo ter a vida que desejam ter. Por isso é preciso atentar para os caminhos impostos pelo convívio social, que muitas vezes estão em desacordo com o jeito de ser das pessoas.


Em um mundo que se organizou nas imposições de “padrões” pré-estabelecidos, muitas pessoas se percebem não compreendidas e, muitas vezes, excluídas. Esse cenário pode trazer angústia e desencanto, aumentando a tristeza e a depressão, o que agrava o comportamento suicida.


Buscar ajuda profissional é possibilitar à pulsão de vida prevalecer sobre a morte. Pessoas com ideação suicida precisam lutar para dar sentido à vida, superando desafios e buscando entender as razões do sofrimento.


Revisar comportamentos destrutivos, ressignificar o olhar sobre si e os modelos à sua volta podem fazer parte de setembro e todos os outros meses do ano. Afinal, quanto mais cedo uma pessoa com ideação suicida busca ajuda profissional,  mais chances ela tem de se tratar.



*Aleandro Rocha – psicanalista – membro do Instituto Brasileiro de Estudos do Inconsciente (Ibei)  e jornalista – especialista em assessoria e comunicação empresarial.


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