ALGUÉM

Por ALEANDRO L. ROCHA

Coluna Fragmentos


Nesta vida, não se sabe quem chega. Sabe-se apenas quem a gente quer que venha. E chegam estranhas e estranhos. Alguns parecem existir há anos; outros, mesmo após anos, permanecem indecifráveis. Alguns são bem vindos; outros, nem tanto.


Se neste movimento de chegadas e partidas, se quem chega for o modelo esperado, o que dizem não existir, basta termos a coragem para tirar a história a limpo. Afinal, é uma história que, mesmo abstrata, às vezes, já experimenta formas para se fazer existir. Nesta hora, libertar os fantasmas faz muito bem. Aliás, prendê-los não é uma boa escolha; acreditar nas possibilidades, sim. E é aí que podemos repensar os modelos.


Quem se espelha em nossas fantasias parece que já tem lugar reservado, e tem; é como se a história estivesse ali, ou melhor, o conforto de ser o que é, ao lado de quem chegou faz pouco tempo. Tem tudo pra dar certo, “ou não”.


Às vezes pensamos que este alguém chegou para ficar, e na verdade fica tão pouco. Já outras eram para ficar coisa de minutos, mas acabam marcando um uma vida inteira.


Quem não era esperado também pode ficar. Só precisamos encontrar as afinidades, e é assim que muitas vezes permanecemos. Se elas aparecem, e as semelhanças chegam juntas, o impensado passa a ser muito bem vindo, e aí será pensado como se um desejo já existisse.


E quando se vão? Quando as expectativas, aquelas que nos passam rasteiras, que não deveriam existir, mas são firmes como pedras, são frustradas? Quando se vão ficam as lembranças boas, e também as ruins.... saudades suportáveis e outras que apertam...


O tempo diminui os sintomas, afaga a alma; mas não apagada a importância de quem “passa” em nossas vidas. Esse mesmo tempo leva um pouco de nós, de um tempo que não voltará, de possibilidades, às vezes, que só se tem em determinadas épocas da vida. Se cada momento é único, então não voltam mesmo. Por isso hoje deve ser o melhor, e claro, cheio de histórias.


No tempo dos nossos dias reais às vezes reencontramos quem passou; outros encontros só serão possíveis nas lembranças, ficando para nós a possibilidade de visitas aos lugares mais íntimos de nós mesmos...são as lembranças.


Às vezes, quando pensamos que alguém ainda existe em nós, este alguém já não mais está, ao menos em nossos planos mais reais. Por outro lado, é possível que alguém que já acreditamos ter ficado longe, naturalmente ressurja. É quando redescobrimos. Isso nada tem a ver com uma “não superação”, pois não superamos quem passou, apenas seguimos. Alguns mais livres; outros, menos.


Parece que a verdade, se é que ela existe, é que boas ou ruins as pessoas que chegam ou que se vão, nos acrescentam, mesmo quando achamos que as perdemos, que perdemos tempo. Elas podem ter ficado o tempo de uma época ou o tempo de um olhar, mas vão ficar, mesmo que bem guardadas, o que não significa impossibilidades de novas rumos... gente nova...novas formas de ser viver.


Nos tempos das idas e vindas, o que que importa é o sentimento que carrega esse tempo que trouxe alguém, o valor do que se percebeu, a força que carregou e o que foi possível vivenciar.


Talvez por isso as pessoas não se vão, realmente, pois o que se vive com alguém é, antes de tudo, uma experiência pessoal, o que não se supera, apenas acrescenta. São momentos que podem se eternizar em nós, que se fundem com os caminhos, que desaguam numa estrada maior, a nossa, da vida.


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