Ameaça de pandemia é real, diz OMS

"Seria a 1ª pandemia da história que poderia ser controlada. O ponto principal é: não estamos à mercê deste vírus", disse o diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus.


Equador, México, Brasil, Argentina, República Dominicana, Chile, Peru, Colômbia, Costa Rica e Paraguai são os países afetados pelo novo coronavírus (Covid - 19) na América Latina até o momento.


A Argentina registrou, no último sábado (7), a primeira morte pela doença. A vítima é Guillermo Abel Gómez, de 65 anos. Ele havia estado na França e sofria de outras doenças que complicaram o quadro de saúde dele. Os casos confirmados no país são 11 até o momento.


O Ministério da Saúde argentino emitiu um comunicado em que pede que alunos e funcionários de colégios públicos e privados que visitaram países com casos de contaminação da doença que fiquem em casa, de quarentena, durante 14 dias. Os países citados na nota são Itália, Espanha, França, Alemanha, China, Japão, Coreia do Sul e Irã.


A Universidad Nacional de La Plata, em Buenos Aires, seguindo orientação do Ministério da Saúde, também emitiu um comunicado em que solicita que alunos, docentes e funcionários da instituição que estiveram em viagem por algum dos países mais afetados pela doença permaneçam em quarentena em suas casas.


Hoje (9) a Colômbia registrou dois novos pacientes com a doença. O Ministério da Saúde do país informou que se trata de um homem de 34 anos, residente na cidade de Buga, e uma mulher de 50 anos, de Medellín. Ambos estiveram em viagem à Espanha e têm quadros estáveis. As autoridades agora buscam localizar as pessoas que estiveram em contato com eles. No total, são três casos confirmados até o momento.


No Equador, até o momento, são 15 casos confirmados da doença. No Brasil, 25. No México, sete. No Chile, 10. A República Dominicana tem dois pacientes infectados. Costa Rica tem nove casos confirmados, Peru tem seis e o Paraguai, um.


Ameaça de pandemia é real, diz OMS


O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou nesta segunda (9) que a "ameaça de pandemia" pelo Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus, é real.


"Agora que o novo coronavírus está presente em muitos países, a ameaça de uma pandemia tornou-se muito real", declarou Tedros. "Mas seria a primeira pandemia da história que poderia ser controlada. O ponto principal é: não estamos à mercê deste vírus", disse.

Segundo o último boletim da entidade, 101 países, áreas ou territórios foram atingidos pelo Covid-19.


"Acho que ainda estamos no começo ou no meio da epidemia. Ainda estamos bastante no ciclo de subida da doença. A doença não terminou seu caminho de forma alguma", afirmou Michael Ryan, diretor-executivo de programas de emergência da OMS.


Para Ryan, o princípio do uso da palavra "epidemia" é que a doença está mais espalhada de país para país. "Da nossa perspectiva, nós estamos alcançando o ponto, com 100 países e 100 mil casos, em que é hora de olhar para trás e pensar. Não é uma medida quantitativa, mas qualitativa. A essa altura, muitos países podem ser afetados, o vírus estará em todos os lugares", afirmou Ryan.


"Não estou preocupado com a palavra, estou preocupado com a reação do mundo a essa palavra. Qual vai ser a reação? Lutar contra o vírus ou desistir?" - Michael Ryan, OMS

Apesar disso, ele citou casos como o da China e de Singapura, que estão conseguindo combater o vírus e reduzir a transmissão local.


"Se nós tivemos um país ter mais de 80 mil casos e agora reduzir, isso é mais que esperança, é prova de que pode ser reduzido", disse van Kerkhove. A China registrou, nesta segunda (9), o menor número de novas infecções diárias desde o início de janeiro. A tendência de queda no país vem sendo registrada desde, pelo menos, o fim de fevereiro.


Os especialistas relembraram as medidas para evitar a disseminação do vírus: manter distância entre as pessoas, evitar aglomerações e manter a higiene das mãos.

"De todos os casos reportados ao redor do mundo até agora, 93% são de apenas 4 países", lembrou Tedros. "Essa é uma epidemia desigual no nível global. Países diferentes têm cenários diferentes, pedindo uma resposta personalizada".


Os países com mais casos reportados de Covid-19 são a China, onde o vírus surgiu, o Irã, a Coreia do Sul e a Itália.


Mais de 20% das pessoas acima de 80 anos morrem de Covid-19, anunciaram os especialistas nesta segunda. Segundo a OMS, 13% dos pacientes que têm doenças cardiovasculares vêm a falecer, assim como 9% dos que têm diabetes.


Segundo a rede de televisão chinesa CGTN, 58.684 pessoas haviam se recuperado do Covid-19 até esta segunda-feira (9).


Os especialistas da OMS também comentaram a situação na Itália, onde cerca de 16 milhões de pessoas estão em quarentena no norte do país. Ryan lembrou que, apesar de o isolamento não evitar mais a contaminação onde o vírus já está, pode retardar a disseminação dele.


A Itália é o país mais afetado no continente europeu, com quase 4 mil casos diagnosticados e 366 mortes. A região da Lombardia, onde fica Milão, é a mais atingida.


O número de casos positivos de Covid-19 em Portugal subiu esta segunda-feira para 35. Aos 31 casos já existentes, juntam-se três novos casos no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, e um no Hospital de São João, no Porto. Este último caso é o de uma mulher, na casa dos 40 anos, que foi infetada após contactar com um dos internados. Há ainda quase 300 casos suspeitos que estão a ser analisados e aguardam resultado do teste. Mais de 400 pessoas estão em vigilância por terem contactado com pessoas infetadas.


Fonte: O Globo / Agência Brasil

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