Israel, quem ganha leva?

Atualizado: Fev 17

Por CÉLIA LADEIRA MOTA


Compreender o intrincado processo eleitoral israelense para definir o resultado final das eleições de setembro nos leva a constatação de que nem sempre quem ganha leva. Mudou o resultado que dava 33 cadeiras para o partido azul e branco de Benny Gantz e 31 cadeiras para o atual premier Benjamin Netanyahu. Segundo os resultados finais divulgados pelo Comitê de Eleições de Israel, o Likud do primeiro-ministro ganhou mais uma cadeira e tem agora 32 cadeiras do Knesset. A mágica que permitiu ao Likud ganhar mais uma cadeira se deu às custas do ultra-ortodoxo partido do Judaísmo da Torá Unida, que foi reduzido de oito para sete cadeiras.


Com a diferença de apenas uma cadeira de vantagem para Gantz, a proposta feita pelo presidente do país, Reuven Rivlin, acrescenta um novo problema para compor o governo. Segundo o presidente, Gantz e Netanyahu devem dividir as funções de primeiro-ministro, num compartilhamento de poder para obter um governo de unidade nacional. Bom de pensar, difícil de executar.


AFINIDADES


Em termos ideológicos não existe muita diferença entre o partido de Gantz e o Likud de Netanyahu. O Kahol Lavan, de Gantz, é um partido de direita liderado por generais. Em sua campanha na TV, Gantz apresentou vídeos com centenas de mortos pelos militares israelenses sob seu comando em duas campanhas em Gaza. A plataforma de Kahol Lavan não é diferente da do Likud. Não tem nenhum plano para resolver o conflito entre Israel e Palestina além de “separar israelenses e palestinos”. Muitos de seus membros são ex-Likudniks e ex-candidatos ao partido Yisrael Beiteinu, de Avigdor Lieberman. Basicamente, Kahol Lavan é um Likud um pouco mais moderado, apenas sem marcas de corrupção, com pouca adesão aos limitados ideais democráticos de Israel e sem a devoção fanática a Netanyahu. Chamá-lo de “centrista” seria um exagero.


No entanto, o partido de Gantz foi endossado pela Lista Unida, que representa os partidos políticos dos cidadãos árabes de Israel. O endosso foi feito pela Lista Unida na reunião com o presidente Reuven no domingo último. A última vez que eles endossaram um primeiro ministro foi há 27 anos, quando apoiaram Yitzhak Rabin, do Partido Trabalhista. Desde então, ocorreram os Acordos de Oslo, o colapso de Oslo, uma segunda intifada que incluiu os distúrbios em que a polícia matou 13 cidadãos israelenses árabes e longos anos de derramamento de sangue na Cisjordânia e Gaza. Sem mencionar a integração do racismo anti-árabe.


Como disse o presidente da Lista Unida Ayman Odeh na tarde de domingo, o principal objetivo do grupo é encerrar a era Netanyahu. O racismo que Netanyahu legitimou desde seu vídeo “Os árabes vão às urnas em massa” no dia da eleição de 2015 está finalmente sendo respondido. O futuro é outra questão.


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