ARCAICO E CORPORATIVISTA, CORREIOS AGONIZA

Por ALFREDO BESSOW

Coluna Asas do Coração


Parte da história do Brasil, os Correios foram perdendo agilidade e capacidade operativa, engessado entre privilégios e negação de uma “nova” realidade. Confesso: sou do tempo antigo. Sou do tempo da Caixa Postal, tato assim que me lembro do número de ao menos três delas, porque para mim a contratação deste espaço sempre foi uma garantia a mais de que os materiais a mim destinados, chegariam. Para ser sincero, ainda hoje mantenho uma Caixa Postal para facilitar a minha vida e a do carteiro – tendo em vista que pelo processo dinâmico da vida, nem sempre é possível ter alguém em casa nas 24 horas de um dia. Eu vivi nos anos 70 e 80 o apogeu dos Correios como símbolo da eficácia e da modernidade. E também sei o quanto os prédios dos Correios em muitas de nossas cidades viraram pontos turísticos pela suntuosidade e pela imponência arquitetônica dos mesmos. São referências em tantas e tantas cidades – não no caso de Candelária, onde a sede é destituída de qualquer valor. A não ser para mim, pelo aspecto lúdico. Observo as pessoas lutando contra a extinção dos Correios e até entendo a preocupação com os próprios empregos, mas é uma visão meramente corporativista que é, por sinal, a razão da decadência e da perda de competitividade de uma estatal que se acostumou a impor suas normas sem perceber que no atual mundo comandado pelas urgências e eficiências, manter-se engessado em dias e horários, amparar-se num monopólio e não se abrir para as novas realidades é ir construindo a derruição de uma imagem mais saudosista do que real. Hoje, as empresas de entregas são mais requisitadas do que os Correios nem tanto pela questão de preços, mas principalmente pela agilidade – eu mesmo já recebi produtos em pleno domingo. Quem compra, quer receber o quanto antes possível. Essa é uma realidade que o corpo funcional da empresa ainda não se deu conta e talvez seja tarde demais para fazê-lo. Observe-se que em plena pandemia, quando muitas empresas conseguiram se reinventar e fugir da asfixia financeira pelo e-commerce, eis que os Correios entram em greve. É mais ou menos como dar um tiro no próprio fio de vida que ainda mantém a empresa sobrevivendo com débitos e mais débitos e seus funcionários em situação precária por conta do assalto praticado pelos governos esquerdistas – aos quais os sindicatos que representam os trabalhadores da ECT são submissos e subservientes ao ponto de não terem denunciado tais governos de destruição do Postalis. Ao convocar uma greve em plena pandemia – uma greve apenas e tão somente política, contra a privatização – o que o corpo de trabalhadores consegue é apenas e tão somente obter a repulsa do segmento econômico que AINDA depende dos Correios para despachar as vendas. A cada novo dia me dou conta de que a estupidez e a falta de visão do povo da esquerda facilita e muito a vida dos conservadores. No caso dos Correios, a greve certamente ampliará a faixa de pessoas favoráveis a sua privatização. Como diz um amigo meu, definitivamente os companheiros ainda pensam que que alguém continua acreditando na balela deles.


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