Até que a morte nos separe

Atualizado: Mar 2

Por CARLOS NAVARRO


Nunca se imagina que a frase “até que a morte nos separe” dita em casamentos, no religioso, venha a ser literalmente aplicada, na vida de um casal, ainda mais quando o evento, o casamento, foi cuidadosamente construído durante o período de namoro e noivado, na formação dos alicerces sentimentais e materiais, tudo realizado com planejamento e cuidado, e com muito amor envolvido.


Mas como não somos “donos” de nossos destinos, a frase bateu em minha porta e com toda força, com toda a rapidez e com todo o ensinamento que somente posteriormente percebi.


Porquê? Essa foi a pergunta que ficou.


Quando somos jovens, no sentido de aprendizado da vida e no ápice de um casamento com filhos, planos, estruturas básicas já formadas, baseadas no amor, não nos imaginamos que um dia vamos acordar sozinhos na cama, sem dar e receber aquele “bom dia”, verdadeiro, que nos faz levantar e lutar.


O choque é grande, muito grande, e de repente, você se dá conta de que aquela pessoa não está mais presente, mas no quarto ao lado estão três pessoas frutos dessa relação, que foram concebidos com amor, que nasceram perfeitos, que tiveram todo o amor “de mãe”, e que você tem de lutar por eles e com eles.


Você acorda com todo esse sentimento e pergunta “o porquê”, e em segundos você se revolta, mas logo em seguida respira e pensa: não posso me revoltar pois esse sentimento ao ser externado pode passar aos meus filhos!


E isso não pode acontecer de maneira nenhuma, pois seria a derrota do amor que a eles foram demonstrados até o dia da partida dela.


Muitas vezes quando ouvimos a frase “até que a morte os separe” em cerimônias de casamento, imaginamos os noivos com idade bem avançada, geralmente a mulher é quem será viúva, com filhos já adultos, netos e talvez bisnetos...


Mas nunca o homem primeiro. E assim, depois de três anos de namoro e noivado e de 14 anos de casado, sem esperar, me tornei viúvo.


E essa é a história, que irei contar aqui, semanalmente, de como me tornei viúvo e pai de três filhos.

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