AULINHA DE PANDEMIA

Por ANDRE R. COSTA OLIVEIRA

Vamos explicar de uma vez por todas: 1 - Não existe vacina, antídoto ou medicamento de controle do COVID-19 até a presente data; qualquer afirmação em sentido contrário é leviana, irresponsável e mentirosa. 2 - Não se trata de uma “gripezinha” ou de um “resfriadozinho”. Gripes e resfriados não adiam uma olimpíada; não fecham os parques da Disney; não restringem fronteiras; não deixam navios em quarentena; não mantêm aeronaves em solo por tempo indeterminado; não esvaziam praças, museus e cidades inteiras. 3 - O novo Coronavírus não distingue etnia, sexo, idade, classe social ou ideologia política. Trata-se de um vírus democrático. 4 - Hospitais brasileiros já sofrem normalmente com carência de profissionais, leitos, medicamentos, EPI´s e infraestrutura física. 5 - O Brasil não consegue ainda sequer controlar doenças que estão extintas em diversas nações do planeta; no Brasil ainda existe o sarampo, a malária, a dengue, a poliomielite, a rubéola, a difteria, o tifo, a hanseníase entre outras moléstias; o Brasil não cuida de dependentes químicos, sindrômicos ou portadores de necessidades especiais, denotando total e absolutamente ausência de cidadania. 6 - O isolamento social é imperioso porque a epidemia se espalhará com mais lentidão, oportunidade em que o sistema de saúde poderá se aparelhar suficientemente para o atendimento dos milhares de futuros infectados pelo COVID-19, minimizando ainda o impacto no tratamento de demais problemas de saúde, tais como doenças crônicas e traumas diversos. 7 - A epidemia no Brasil ficará ainda muito pior nos próximos dias, a partir do momento em que atingir populações carentes (moradores de favelas, cortiços, palafitas e em situação de rua), que são desprovidas de residência confortável, saneamento básico e renda mínima para um tratamento adequado, o que reforça a necessidade de isolamento ao menos por enquanto. 8 - Quem desobedece a m. do isolamento ou a quarentena (na hipótese de já estar infectado) beira a criminalidade, age com extremo egoísmo e desumanidade, desrespeitando o esforço de milhares de profissionais de saúde, segurança pública e demais atividades essenciais e, em derradeira esfera, sacaneia toda uma coletividade; porque não faz sentido alguém amar a humanidade e odiar o próximo ao mesmo tempo. 9 - Fazer carreata em automóveis confortáveis, buzinando enquanto desfruta do sistema de som e do ar-condicionado e protestando para que pessoas pobres sejam compelidas a voltar ao trabalho (não essencial), espremendo-se em trens e em ônibus lotados é de uma cretinice inacreditável; típica atitude escrota de quem não dá a mínima para a vida humana. 10 - Por outro lado, bater panela na janela é de uma jecura gigantesca; tão inútil e tão brega quanto bater palmas para o pôr-do-sol na Pedra do Arpoador, no Rio de Janeiro/RJ; e ineficaz sob o ponto de vista político. 11 - É evidente que estamos com pouquíssimo dinheiro circulando no mercado, e que a economia sofrerá as consequências severas da recessão e do desemprego; disso todo mundo sabe; só que a sociedade deverá se ajustar aos poucos, desde que tenhamos bons administradores públicos e sejam observados os princípios da preservação coletiva e da mais nobre solidariedade, ajudando-nos mutuamente (e, de uma vez por todas, aprendendo um pouco mais sobre os conceitos de preservação coletiva e de solidariedade, que ainda são desconhecidos para muitos de nós). 12 - A probabilidade de que você tenha um cartão clonado ao fazer compras pela internet é muitas vezes menor do que a probabilidade de clonagem de seu cartão em shoppings, supermercados, botecos e em postos de gasolina. Então deixe de ser caipira e utilize a tecnologia em seu benefício. 13 - Quem tem a capacidade para gerir uma crise de proporção global, prestando informações fidedignas e ainda assistindo a população em estado de emergência é, única e exclusivamente, a área técnica/científica do Poder Executivo brasileiro; não é o Presidente da República, com vaidades e idiossincrasias; não é o pastor da igreja; não é o padre; não é o pai de santo; não é o jornalista inconsequente; não é o acadêmico de almanaque; não é o grupo de whatsapp da família.

E tenho dito. Finalmente, cumpre registrar o magistral ensinamento abaixo. O ilustre destinatário de meu cutelo já se identifica por si próprio, diariamente, em praça pública, contrariando o bom senso e a razoabilidade:


“A carência da faculdade de julgar é propriamente aquilo que se designa por estupidez, e para semelhante enfermidade não há remédio. Uma cabeça obtusa ou limitada, à qual apenas falte o grau conveniente de entendimento e de conceitos que lhe são próprios, pode muito bem estar equipada para o estudo e alcançar mesmo a erudição. Mas, como há ainda, habitualmente, falha na faculdade de julgar, não é raro encontrar homens muito eruditos, que habitualmente deixam ver, no curso da sua ciência, esse defeito irreparável.” (Immanuel Kant, in Crítica da Razão Pura, 1781)


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