BOLSONARO VAI APARANDO ARESTAS PARA ENCONTRAR CENTRO DE GRAVIDADE DO GOVERNO

Não é fácil governar com 22 ministros autônomos, de personalidades fortes, e  que receberam carta branca para escolher suas equipes sem interferência do presidente da República

São na verdade são 22 co-presidentes, com voz própria e dispostos a protagonizar em alto estilo na mídia.

Muitos deles mantêm contas pessoais no Twitter, Instagram e Facebook. São contemporâneos dos novos processos de gestão e a grande maioria detesta o rito burocrático e os hábitos cartoriais da Corte de Brasília.

Não será uma tarefa rotineira coordenar essa equipe quer resultado rápido.

Aí vem a personalidade do presidente Bolsonaro, seu perfil psicológico e seu engajamento com os compromissos de campanha.

Se ele tivesse um temperamento de choque, embebido em pronunciado ego – como os dos ex-presidentes Lula e FHC – certamente haveria enfrentamento com os ministros todos os dias.

No entanto, Bolsonaro demonstra ser paciente e até mesmo humilde, aparando arestas e  podando zonas de tensão. A nota de humildade ficou patente nesta semana, quando deu posse aos novos presidentes de bancos públicos, ao se dirigir ao ministro Paulo Guedes como professor e mestre, a quem perguntou ao conhecê-lo se poderia tratá-lo por “você”.

Vai convencendo os ministros para a importância de fazer o que foi prometido na campanha, mas não com ordens para que façam.

Procura o centro de gravidade de seu governo.

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