CONGRESSO, A QUARESMA DO GOVERNO

Com 67 dias de iniciado, começa o martírio quaresmal de um Governo que sequer ainda teve uma largada compatível com a votação recebida pelo presidente Jair Bolnonaro.

O Governo não pode abrir mão das reformas sob pena de não alcançar uma governabilidade saudável e repetir o PT com inflação e descontrole das contas públicas.

Mas já existe hoje ponderável receio de que o Congresso, embora renovado, não vote nem a reforma, nem a pauta da segurança e costumes, nem o dia a dia do governo.

Razão disto: o político quer impor seus desejos ancestrais ao governo. Quer o velho e surrado toma lá dá cá.

Os analistas que acompanham o Congresso sabem que depois da Constituição de 88 ,o presidencialismo  brasileiro não existe sem a boa vontade do Congresso,.

Na prática age como se estivéssemos sob o égide do parlamentarismo .

Se o Governo Bolsonaro abrir mão da sua diretriz maior de acabar com o toma lá dá cá,  ficará fragilizado perante o eleitor que o elegeu.

E, ainda pior: caso não atenda terá que manipular as ruas para forçar o Congresso a fazer o seu papel de votar em nome da população que representa, e não pelos seus interesses pessoais

Norberto Bobbio estudou profundamente o tema e concluiu que após as eleições os interesses coletivos se tornam os interesses do eleito .

De maneira simplista este é o fenômeno que atinge hoje o Brasil , cuja temporada de crises está apenas começando .

Enquanto o interesse coletivo não for o objetivo dos políticos, o impasse perdurará. O cenário mais trágico será o que o presidente Bolsonaro pediu ontem na sua “live” no Facebook: para não acontecer:  a desidratação da Reforma da Previdência.

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