Conselhos de Dom Pedro II ao Presidente (os mesmo que deu à Princesa Isabel)

Atualizado: Fev 17

Por LEONARDO MOTA NETO


Possíveis conselhos que o Imperador Dom Pedro II daria a um Presidente Republicano brasileiro, tirados a partir de relatos históricos durante um momento do reinado do Imperador no Brasil ao aconselhar a sua filha, a Princesa Isabel, quando ela serviu como regente do Império enquanto Dom Pedro II viajava pelo exterior. Ficção produzida e editada pelo saudoso jornalista Leonardo Mota Neto para a Revista Carta Polis.


No relacionamento com o pessoal da segurança:

“Convém que seu pessoal permanente não seja avultado, porém, devem em circunstâncias normais fazer unicamente o serviço e exercício militar, em circunscrições bem situadas.”


Para tratamento com assessores palacianos:

“Direi aqui que sou contrário a graças concedidas muito depois dos serviços prestados, e que é preciso ir escasseando-as.”


Para embates com os políticos de partidos da base:

“Cumpre ceder logo no que for justamente reclamado.”


Para os contatos doravante com embaixadores:

“Com os nossos vizinhos devemos ser generosos e evitar tudo o que nos possa fazer sair da neutralidade a todos os respeitos, sem sacrifícios, todavia da honra nacional, que não depende, por nenhuma forma, do procedimento de quaisquer brasileiros que tenham sido causa de seus justos sofrimentos em país estrangeiro.”


Ao comportamento em conversas com ministros do Supremo:

“Nada dizer que indique sua opinião, ou pareça proteção, que não seja a da justiça.”


Para as visitas a órgãos governamentais:

“Deve visitar os estabelecimentos públicos e particulares de utilidade pública onde não seja estranhável a presença de uma pessoa como seu porte, e tomar logo que for oportuno, apontamentos do que observar, e dever comunicar a qualquer ministro, ou guardar para si, evitando que suas observações sejam conhecidas por qualquer pessoa, que não for discreta.”


Para a hora de indicar ministros:

“Cumpre não indicar pessoas para cargos ou graças aos ministros, exceto em circunstâncias muito especiais de maior proveito público em proceder de modo contrário, porém deve opor-se, mas pela forma que já aconselhei a qualquer indicação de pessoa feita por ministro, apresentando francamente as razões em contrário quando o exigir o bem público. Não se criam assim facilmente amigos, porém os obtidos por outra forma são pouco seguros e muito prejudicam os válidos.”


Para o momento de enviar ao Congresso solicitações de aumento dos salários:

“Com bem entendida economia, e fugindo o mais possível do que é luxo, chega sempre o dinheiro para muito, e estou certo de que minha filha não quererá qualquer aumento do que recebe do Estado.”


Para argumentar que a imprensa não é a vilã da democracia:

“É preciso ainda advertir que o verdadeiro corretivo dos ministros está na opinião pública manifestada pela imprensa e pelas Câmaras.”


Para reunir mais seus ministros:

“Na maior parte dos casos entender que serão graves as consequências, se não anuir à opinião do Ministério.”


Para se adotar um estilo conciliador com os políticos:

“Nosso sistema de governo é o da calma e da paciência; verdade é que no caso de ser bem executado, o que não se dá entre nós, e cumpre ir corrigindo com o tempo.”

Texto publicado na Revista Carta Polis em Julho de 2014


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