DE CARNAVAL EM CARNAVAL

Por BENTO CRUZ

Coluna Histórias de Um Velho Marinheiro

Descobri o que era Carnaval quando morei no Rio de Janeiro, a alegria, as músicas, as brincadeiras me contagiavam a tal ponto que eu queria ser carioca. Não pude ser, mas tive dois filhos que nasceram no Rio e que foram frutos do carnaval mais especial da minha vida.


Este não foi no Rio, mas em Recife no clube da Marinha ARES-Cisnes. Lá conheci minha linda esposa. Eu estava no salão quando a vi entrar com algumas amigas. Fiquei encantado assim que coloquei os olhos nela. O problema é que ela não parava de dançar, fui para perto e pensei: vou deixar ela cansada de tanto brincar! Deu certo!


A cerquei para ninguém chegar perto e depois de pularmos o carnaval, finalmente pudemos conversar e de encontro em encontro nasceu o amor, a nossa família e de marchinha em marchinha ao longo dos anos construímos a nossa história.


Nos carnavais de outrora tinha de tudo: músicas com letras politicamente incorretas, brigas, paqueras, alegria, diversão e muito lança-perfume, também conhecido como loló ou cheirinho da loló. Ele era liberado, até fábrica em Recife tinha. O usávamos, não para cheirar, mas sim para borrifar e perfumar o salão.


Não estranhei quando ele foi proibido pois certa vez salvei a vida de uma pessoa que havia misturado lança-perfume no whisky e começou a passar mal. Como estávamos em meio a uma multidão, não pensei duas vezes, a joguei nas costas e saí correndo para procurar atendimento médico.


Mais tarde soube que a minha decisão de prestar atendimento e a forma como a carreguei, deram solavancos que acabaram fazendo a massagem cardíaca que ela precisava.


No carnaval sempre há os que extrapolam, mas ele é, pode e deve ser uma grande e bonita festa, que alegra as pessoas e que é cúmplice de boas e inesquecíveis histórias e no meu caso, a origem da minha família.


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