DE HAMBURGO DIRETO PARA SALVADOR

Por BENTO CRUZ

Histórias de Um Velho Marinheiro


Estando no quartel, fiz o curso de fisioterapia. Eu já tinha uma profissão, que era a de ser músico e atuava na Banda Marcial dos Fuzileiros Navais e na Banda Sinfônica da Marinha, mas isto não me limitava e nem me acomodava.


Na verdade, eu sempre estava fazendo algo além de servir. Sempre gostei de ultrapassar barreiras, descobrir novos mundos, viver novos desafios. Isto para mim, faz com que os dias fiquem cheios de vida e como eu gostava de poder ajudar na recuperação das pessoas e particularmente era bom em massagem, fiz o curso técnico de fisioterapia no Rio de Janeiro, no colégio La Salle.


Tempos depois este conhecimento ajudou no restabelecimento do meu comandante, o Sr. Emanuel. Estávamos viajando de navio pela Europa, quando ele passou mal e teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC), um derrame.


Ao saber da notícia, me apresentei para a equipe médica do navio e disse da minha formação em fisioterapia. Eles pediram que eu desembarcasse com o Comandante e cuidasse de sua melhora. Descemos então na Alemanha e depois fomos para um hospital em Hamburgo, enquanto o navio seguiu para a África.


Ficamos mais de um mês no hospital, onde fomos bem tratados, quando retornamos ao Brasil, o navio já havia atracado em Salvador, mas mesmo assim, o Comandante Emanuel assumiu o comando.


Nunca me arrependi de ter me apresentado para ajudar. Quando se escolhe uma profissão, escolhe-se uma missão e realizá-la dá uma grande satisfação.


A vida passa rápido. Estamos em um processo de pandemia, onde os noticiários informam diariamente a quantidade de mortos. Os vivos, precisam estar vivos! Seja qual for sua missão, encontre nela alegria e prazer. Nunca se acomode e nem se limite a fazer apenas a sua função. Você sempre pode fazer mais, ir além.


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