De Tiradentes a Bolsonaro, um histórico das relações Brasil-Estados Unidos

Atualizado: Fev 17

Por LEO LADEIRA


Muitos analistas políticos apregoam que o alinhamento entre o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e o dos Estados Unidos, Donald Trump, tornou a relação entre os dois países a mais próxima em toda a história. Será mesmo?


Quando teve início de fato essa relação entre os países? Em que momento e em que circunstâncias?


Vamos conhecer o histórico da aproximação Brasil-Estados Unidos, da colônia à década de 1980, lembrando ícones como o Zé Carioca, Carmen Miranda, D.Pedro II e Oswaldo Aranha.


1786


O estudante brasileiro José Joaquim da Maia envia três cartas ao então ministro dos Estados Unidos na França, Thomas Jefferson. O assunto das cartas era a situação política do Brasil, então colônia de Portugal. Maia solicitou auxílio americano na luta pela independência brasileira. Jefferson encontrou-se com o rapaz nas ruínas romanas de Nîmes.


Meados do Século XVIII


Chega às mãos do alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, um livro escrito em francês sobre a Independência Norte-Americana. Os inconfidentes olhavam para os Estados Unidos como exemplo e esperança de auxílio para a revolução que gostariam de implementar no Brasil.


1798


1802 Primeiras estatísticas americanas de comércio com o Brasil, apesar das proibições da Coroa portuguesa.


1808 Com a vinda da família real para o Brasil, os Estados Unidos, interessados nos novos negócios, restabelecem as relações com Portugal, rompidas desde 1802, quando a sede em Lisboa foi extinta por motivos de economia.


1822 Surgem no Brasil os primeiros livros escritos sobre os Estados Unidos em língua portuguesa: “Compêndio da História dos Estados Unidos da América” e “Os Estados Unidos da América Septentrional”.


1824 Os Estados Unidos são o primeiro país a reconhecer a independência do Brasil.


1859 Chegam ao Brasil as primeiras missões religiosas norte-americanas: inicialmente os episcopais e depois os presbiterianos.


1864 Estoura a Guerra do Paraguai. Os Estados Unidos apoiam as tropas paraguaias. As relações diplomáticas com os EUA são cortadas, só se restabelecendo em 1870.


1866 Primeiros investimentos norte-americanos no Brasil: Charles Greenough, da Manhattan’s Bleecker Street compra do Visconde de Mauá a concessão para explorar uma linha de carris que ligaria a rua Gonçalves Dias ao Largo do Machado, no Rio de Janeiro.


1870 O missionário Chamberlain funda a Escola Americana de São Paulo, que depois se transformaria no Mackenzie College.


1889 Com a Proclamação da República no Brasil, a estrutura de governo inicialmente adotada é nitidamente baseada na americana: um presidente, um vice, um Congresso com duas Câmaras e um poder judiciário independente.


1905 Joaquim Nabuco é empossado embaixador nos Estados Unidos, obtendo grande respeito na América.


1914 O ex-presidente norte-americano Theodore Roosevelt realiza uma expedição à região amazônica brasileira, acompanhado pelo marechal Cândido Rondon. Roosevelt acaba sendo infectado pela malária.


1924 Cândido Portinari, com a obra “Café”, é o primeiro artista moderno brasileiro premiado no exterior. Em 1939, o pintor seria convidado a realizar três painéis para o pavilhão brasileiro na Feira Mundial de Nova York.


1928 O presidente Herbert Hoover desembarca na Praça Mauá, no Rio, onde é recebido com calorosa acolhida.


1935 A soprano brasileira Bidu Sayão se apresenta com sucesso no Town Hall, em Nova York. Dois anos depois, ela ingressaria no cast do Metropolitan Opera House. A cantora jamais voltaria a viver no Brasil, radicando-se em Seattle.


1938 O gaúcho Osvaldo Aranha é empossado como ministro das Relações Exteriores. Alguns anos antes, Aranha havia sido embaixador em Washington. Em 47, o ministro chefia a delegação brasileira na primeira sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).


1939


1941 Lançado o acordo Brasil-EUA. Os norte-americanos se comprometeram a financiar a construção da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) em troca da instalação de bases em Natal, Belém e Recife.


1947 Harry Truman é o terceiro presidente dos Estados Unidos a visitar o Brasil. Ele esteve no Rio de Janeiro e foi à Conferência para a Manutenção da Paz e Segurança Continental.


1960 O presidente Dwight Eisenhower (1953-1961) faz visita oficial ao Brasil, passando por Rio de Janeiro,  São Paulo e Brasília, onde encontra-se com o presidente Juscelino Kubitschek.


1962 Um festival de bossa nova, realizado no Carnegie Hall, em Nova York, projeta mundialmente nomes como Tom Jobim e João Gilberto.


1964 O presidente dos Estados Unidos Lyndon Johnson parabeniza os autores do Golpe militar de 31 de março pela preservação da democracia.


1965 O FMI concede crédito de US$ 125 milhões ao Brasil.


1969 O embaixador americano no Brasil, Charles Elbrick é sequestrado.


1977 O governo brasileiro recusa a ajuda militar dos Estados Unidos por considerar um relatório expedido na época pelo governo americano como “uma violação do princípio de não-interferência”. O Itamaraty comunica à Embaixada dos Estados Unidos a extinção dos acordos militares mantidos entre os dois países e a decisão de acabar com a missão naval norte-americana sediada no Brasil.


1978 O presidente Jimmy Carter visita o Brasil. É o único a visitar o Brasil durante o regime militar. Ele esteve no país em março de 1978, encontrando-se com o presidente Ernesto Geisel.


1986 O presidente José Sarney visita os Estados Unidos, apesar das divergências econômicas do momento. No ano seguinte, Sarney participaria da reunião extraordinária da ONU pelo desarmamento, enquanto o governo americano anunciava um corte de 32% na lista de produtos brasileiros, como o álcool.  A partir dos anos 90 as visitas de presidentes se intensificaram. George H. W. Bush veio ao Brasil duas vezes. Em 1990 encontrou-se com o presidente Collor em Brasília. Esteve no Rio de Janeiro, em 1992, onde participou da ECO 92, conferência internacional sobre ecologia e mudanças climáticas.


Em novembro de 2005, George W. Bush fez sua primeira visita ao país. Encontrou-se com o presidente Lula na Granja do Torto, onde passou o dia. Na segunda visita, em março de 2007, encontrou-se com o presidente Lula em São Paulo.