DESENGANO

Por ALFREDO BESSOW


Um abraço a quem vem chegando a este galpão de uma nova irmandade que rompe com tanta lei e verdade coisas novas que vão se criando e eu fico aqui, solito, matutando: Pra que serve tanta empáfia e covardia quando a verdadeira e única poesia emana das coisas simples do povo é por isso que pergunto, sempre de novo, por que querem reinventar a sabedoria?


Nasci no campo, meio xucro e abarbarado E nunca precisei desfazer de ninguém! Vivo cortado dos pilas, mas cada vintém vem sempre do que foi por mim trabalhado dou valor ao que é honesto e honrado sem bajular chefete, capataz ou patrão desde cedo aprendi o valor de dizer não e se se sigo neste mesmo traçado sem dobrar joelho ou bajular safado é porque sou escravo apenas do coração


Não me “pidan” que eu mude meu jeito! Sei o preço de cada talho, cada cicratriz meu destino é andar atrás do MEU nariz Abro com machado e poesia meu eito porque o que eu trago aqui dentro do peito não está à venda e nem pra “alquilar” porque se alguém quiser me dobrar tem que vir de lote, assim no tropel porque trago no coração, um quartel destes que morrem, para não se entregar


Observo que as coisas vão acontecendo numa sucessão de estranhas traições que vão revelando sórdidas ambições de quem se elegeu lealdade prometendo e agora se perdeu no mais querendo usar do imenso poder do seu mandato para se dar bem, se beneficiar, isto é fato partindo para a velha política, mesquinha de querer para si guardar toda a farinha E que o povo se contente em pagar o pato


É muito estranha a nossa democracia onde todo mundo pensa apenas em mamar e a conta de tudo sempre quer mandar pro colo de quem sofre com a tirania de congressistas, judiciário que com vilania desdenham do direito de mandar do presidente E ficam rindo na cara do eleitor, de repente ridicularizando os seus anseios de liberdade como se não passasse de insanidade O povo aprendeu a fazer o serviço e dará em 22 um definitivo sumiço em ratazanas de muitas estirpes, variedade


O que dizer da ditadura do Judiciário onde se chega por concurso ou bajulação gente que nunca conseguiu escutar um não E que faz o povo sempre de trouxa e otário mandando e desmandando sendo perdulário de nada se importando ou prestando conta é um povo que tudo pode, tudo apronta sem ter compromisso com a democracia impondo a nós, conservadores, a tirania de obedecer a quem se guia para onde o nariz aponta


Entre nós é pura falácia, promessa banal, a divisão de Montesquieu, dos poderes aqui se mudam leis aos bel quereres de quem mal cuida da sujeira do seu quintal e quer estender seu manto de vestal a ditar normas de conduta e comportamento tipo biruta de aeroporto em apartamento criando normas, reinterpretando interpretações para se esconder, inventam ameaças, trovões e mantém o povo calado, em confinamento


Ao longo da vida enfrentei muita adversidade mas nunca abri mão dos meus valores e quando andei entre porcos saqueadores mantive meus ideais alheios às necessidades vendo prosperar o culto à impunidade em um estranho mundo, onde o mercador negocia de tudo, sem limite ou pudor - jogando tudo no prato da mesma balança neste comércio se vende o povo à esperança para enganar e tapear o pobre eleitor


Confesso que tudo vai gerando cansaço em rituais de sarcasmo e de selvageria Eles que criaram o vírus, impuseram a tirania de vigiar de nós todos, qualquer pensar ou passo fodam-se se não aceitam ou não gostam do que faço precisamos reagir e readquirir o comando do viver ou vamos esperar calados tudo em nós morrer enquanto eles acertam a divisão do espólio, do butim? Entendam, canalhas, é Deus quem manda em mim por Ele guio os meus passos e o meu querer


É hora de voltar para as ruas de modo permanente Ir pra cima dos que se escondem por trás da autoridade Mostrar que não passa de estratégia, de insanidade Manter confinados o povo, morrendo tanta gente Numa armadilha criada por um grupo de dementes que irá soltar versões diferentes do tal do vírus chinês Até transformar todo mundo em povos sem altivez É preciso que alguém assuma o absurdo desafio de mandar estes assassinos pra puta que pariu ou logo baterão em nossa porta, dizendo: é a sua vez!


Eu não vou entregar os pontos, vivente!

Pra mim, a dificuldade aumenta a vontade de lutar

E para me proibir ou então para me calar

terão de silenciar minha voz de modo permanente

e surgirão muitos outros, assim de repente

É preciso espantar a sensação de torpor

acabar com o reinado da morte e do terror

daqueles que, insisto, negam a nós a vida

impondo na alma de todos a chaga, a ferida

De viver com o medo, negando o amor.