DESPERTAR

Por ROBERTO NAVARRO

Coluna Estrada das Lágrimas



Onde está a diferença entre nós?


Porque algumas pessoas mudam radicalmente suas vidas?


De onde vem essa força de mudança?


O que uma simples observação pode transformar uma vida ... um futuro?


Pois bem, hoje vou contar uma história onde uma menina lá do Nordeste, onde a mãe era alcoólatra e prostituta e seu pai, nem a mãe sabia ao certo quem era. Essa menina, vamos chama-la de Jenifer, cresceu sob os cuidados da avó materna que ficou sozinha cuidando de 12 filhos e mais essa neta, a Jenifer. Apesar de todo amor e carinho que a menina recebia a avó também, infelizmente tinha o vício da bebida.


Jenifer cresceu nas ruas de sua cidade pequena rodeada de miséria e pessoas em situação similar. Frequentava as aulas do colégio porque gostava de estudar. A avó com tantos afazeres e tantos filhos conseguia lhe dar carinho e atenção da melhor forma que conseguia, era tanta pobreza e dificuldade que mal conseguia olhar os filhos e sua neta.


Jenifer ia para escola e na volta ficava procurando casas onde podia realizar algum tipo de trabalho, tipo varrer o quintal de alguém para poder receber algum dinheiro ou mesmo comida para levar para casa e ajudar a avó que tanto amava e que chamava de mãe. Sabia quem era sua mãe, mas a via muito raramente e conforme foi crescendo percebeu o drama de sua família, sua história, mas nunca fraquejou.


Quando adolescente houve um surto de virose na região onde morava e sua avó teve que ficar internada e Jenifer teve que ajudar sua avó no hospital, pois haviam várias pessoas internadas e os funcionários do Hospital não davam conta da demanda. Jenifer foi elogiada por todos devido a dedicação e como realizava as tarefas de maneira exemplar, mesmo sem ter conhecimento na área de saúde. (Esse episódio é de extrema importância pois foi um dos fatores que mudou sua vida no futuro).


Ela tinha um sonho de ir para uma cidade grande onde tivesse oportunidade de trabalho e comentava com sua avó sobre isso. Sua vida continuava difícil, vivendo da escola para as ruas entre brincadeiras e busca por comida quanto mais crescia, mais riscos surgiam, como pessoas de má índole querendo aproveitar da situação, mas talvez o exemplo de sua mãe a impediu de seguir caminhos mais ¨fáceis ¨ e muitas vezes inevitáveis diante da situação de muitas meninas vivendo em situações de extrema pobreza e sem estrutura familiar.


Em certo momento de sua vida houve a oportunidade tão sonhada, de ir para uma cidade grande acompanhando seu tio e sua tia. Ficou combinado dela vir para ajudar olhar sua prima ainda bebê enquanto os tios saiam para trabalhar. E foi assim, que Jenifer veio para cidade grande e foram moram num quartinho de pensão. Com o passar do tempo viram que seria melhor ela também procurar emprego para ajudar pois a tia estava desempregada.


Conseguiu um trabalho de doméstica e lá observou como era uma família de verdade, uma casa ... ou seja um LAR. Observava a patroa cuidando de seus filhos, a rotina da família e aquilo ficou na cabeça dela e não saiu mais. Ela pensou consigo mesma: “é isso que eu quero para mim” e esse foi o “gatilho”.... Esse foi o momento onde ela descobriu o que queria para sua vida e começou a pensar como chegaria lá.


Continuou trabalhando e sempre com “aquilo” na cabeça e foi aí que se lembrou do episódio onde cuidou de sua avó no hospital e que todos elogiaram seu trabalho, então resolveu fazer um curso de auxiliar de enfermagem e assim o fez. Daí para frente Jenifer se formou conseguiu trabalho na área de enfermagem em seguida ja fez auxiliar de enfermagem do trabalho e como as coisas estavam melhorando e ela muito esperta e economizava e resolveu que podia fazer faculdade com bolsa de estudo e fez enfermagem.Com a formação de enfermeira abriram outras portas e cada vez mais Jenifer aprendendo com a vida e as pessoas e se aperfeiçoando e conquistando mais espaço.


E sabem como eu a conheci? Não foi paciente não. Ela veio trabalhar comigo e quando soube de sua história fiquei admirando aquela “menina” hoje madura, mas com ar de criança, sempre humilde, alegre e com boas palavras para distribuir a quem precisa. Ela é um exemplo de superação de dificuldades onde não há limites quando se acredita em algo melhore mesmo perguntei a ela, o que a fez ser diferente de suas amigas de infância que infelizmente ficaram lá e sabe Deus como estão. Ela me respondeu que o que mudou o seu pensamento, o que lhe deu um rumo, foi observar aquela família onde trabalhou de doméstica e viu que a vida podia ser diferente e melhor do que a que tinha tido até então, bastava saber os meios para chegar nisso e nunca desanimar… e seguiu em frente.


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