DIA 21 DE ABRIL. CONJURAÇÃO MINEIRA E BRASÍLIA

Por ANDRE R. COSTA OLIVEIRA


Existem dois fatos históricos de extrema relevância, e que foram imprescindíveis à formação do pensamento de Estado, e que fazem aniversário no mesmo dia 21 de abril.


O primeiro deles, obviamente, é a Conjuração Mineira, sobre a qual eu poderei falar com mais riqueza de detalhes em outra oportunidade, e que eu me recuso a chamar de Inconfidência Mineira. Porque um “inconfidente” é, em essência, um “delator”, um “alcaguete”, um “X-9”, um “dedo-duro”. A Conjuração Mineira jamais foi um movimento de traidores, muito menos de canalhas.


Foi sim um movimento que, em pleno final do século XVIII, buscava sobretudo a independência do Brasil com relação a Portugal, a abolição imediata da escravidão, a industrialização maciça da Nação, a edificação de universidades públicas e a outorga de uma constituição escrita nos moldes da constituição norte-americana vigente à época – entre outras coisas.


Ao contrário do que muita gente tenta fazer crer, a conjuração mineira não foi edificada sobre os pilares de uma elite rica, que tentava apenas e tão-somente sonegar impostos que eram devidos à Coroa Portuguesa. Isso é uma mentira, isso é ofensivo, isso é grotesco.


Quando houve a delação por parte de um cafajeste chamado Joaquim Silvério dos Reis, foram todos os conjuradores presos, e um de seus líderes mais importantes, Joaquim José da Silva Xavier, por alcunha o Tiradentes, assume integralmente a culpa em nome dos demais e aceita com absoluto estoicismo o destino trágico que lhe aguardava.


Houve julgamento e condenação de alguns conjuradores à morte, outros a prisões extensas, e alguns ao exílio e ao desterro.


Tiradentes ficou preso ao longo de 1072 dias numa cela minúscula, incomunicável, até ser enforcado na cidade do Rio de Janeiro em 21 de abril de 1789. Aliás, todo mundo conhece aquela tela horrorosa de Pedro Américo pintada em 1893, intitulada “Tiradentes Esquartejado”, numa clara tentativa de mitificação entre a sua imagem e a Jesus Cristo, sendo que o mártir não foi enforcado de cabelos e de barba grande. Todos os que eram condenados tinham cabelos e barbas raspadas na cadeia. Outra coisa: até os dias de hoje, não existe nenhum registro fidedigno sobre as feições de Tiradentes.


Aliás, por falar em Rio de Janeiro, há um fato curioso. Bem no coração da Lapa, reduto de boemia carioca, há uma praça que leva o nome de Praça Tiradentes. E, ao centro da Praça Tiradentes, há uma estátua enorme, só que não é uma estátua de Tiradentes. É uma estátua de Dom Pedro I, neto de Dona Maria “a Louca”, exatamente a algoz de Tiradentes e que chancelou a sua condenação à morte!!! Enfim, coisas de Brasil...


Eu acho que cada um de nós deve se atentar, sobretudo, ao lema da bandeira da Conjuração Mineira, principalmente nos dias de hoje: liberdade, ainda que tardia.


Sobre o outro fato histórico de extrema relevância no dia 21 de abril – ocorrido no ano de 1960 – foi a inauguração da cidade de Brasília, que agora faz 60 anos e que me adotou aos meus tenros 12 anos de idade e que eu amo imensamente.


Eu não vou adentrar no que se refere a autonomia político-administrativa do Distrito Federal, que foi consolidada pela Constituição Federal de 1988, até mesmo porque o meu posicionamento é polêmico e envolve uma discussão jurídica, econômica e até mesmo sociológica que fugiria ao assunto desse feriado.


Brasília é uma cidade linda, e que foi fundamental ao desenvolvimento do país a partir da década de 60 do século passado, impulsionando a interiorização de um Brasil que ainda era praticamente desconhecido.


Juscelino Kubitschek foi um visionário, talvez um dos poucos estadistas que tivemos até hoje no Poder Executivo, e que nos representou com uma altivez e uma elegância ímpares.


Brasília foi – e ainda é – o símbolo maior de um Brasil que pode e que necessita olhar para o futuro, aprendendo com os seus erros (com os mais recentes, inclusive) e melhor compreendendo o seu passado.


A melhor mensagem que resume isso tudo já está escrita no próprio brasão do Distrito Federal, com os seguintes dizeres: “venturis ventis”, que do latim significa “aos ventos que hão de vir”.


Eu, pessoalmente, ousaria até mesmo uma singela modificação no texto: “aos ventos que hão de vir, com a liberdade – ainda que tardia.


#brasília