DONA SARAH E A IGREJINHA

Por BENTO CRUZ

Coluna Histórias de um Velho Marinheiro

Amizades são sempre importantes. Por meio de um colega de trabalho, recebi a indicação de trabalhar como motorista na construção do Memorial JK em Brasília.


Trabalhar lá era ver eternizar uma lenda. Era presenciar a entrada de uma pessoa na história do seu país. Transportei, peguei e levei diversos documentos. Não sei o teor deles, mas cada um deveria ser como peças de um quebra-cabeça que pouco a pouco, foram registrando os feitos de um grande homem.


Era comum a presença da Dona Sarah Kubitschek na obra. Ela atentamente presenciava e supervisionava a construção de cada uma das etapas do memorial de seu esposo.


Diversas foram as vezes que após dar uma passada no Memorial a levei na Igreja Nossa Senhora de Fátima na 307/308 Sul, primeiro templo em alvenaria de Brasília e construída para que ela pagasse uma promessa que fez para a cura de sua filha. Projetada por Oscar Niemeyer, a arquitetura lembra um chapéu de freiras, tendo em sua fachada e em seu interior azulejos de Athos Bulcão.


Toda vez que passo por lá, lembro dela, que sempre foi uma dama em seu trato com os colaboradores. É interessante passear por lugares e lembrar do que foi vivido.

A Igrejinha, como carinhosamente é chamada por alguns, representa o clamor de uma mãe por sua filha, a fé de que Deus a poderia salvar e a gratidão de ter seu pedido atendido. Penso que todas as vezes que Dona Sarah visitou o templo, também recordou da fidelidade e do amor de Deus. Imagino que lá também foi um local onde ela rezou tanto pelo Memorial quanto por Brasília, uma construção que marcou a história e que a cada dia faz história. Que mais preces e orações possam ser feitas pela nossa capital.


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