EMOÇÃO À FLOR DA PELE

Por ALEANDRO L. ROCHA

Coluna Fragmentos


Tranquilidade, tolerância, paciência, compreensão e calma; sentimentos que são sinônimos e motivação para quem busca qualidade de vida. Um olhar para o equilíbrio desejado por todas e todos. Diante do atual cenário, são essas emoções e seus reflexos na vida prática mais do que necessários. São urgentes! Afinal, após meses de isolamento social e incertezas trazidas pela pandemia, tem sido cada vez mais comuns os relatos de sentimentos de angústia, de estresse e de comportamentos agressivos entre as pessoas.


Em tempos de pandemia, é possível que muitos já tenham lido, visto ou ouvido notícias estampando atos de desrespeito e agressão entre vizinhos, nas ruas - e muitas vezes dentro dos lares brasileiros. Música alta, discussões, gritos e intolerância têm tido um aumento expressivo. Não que esses comportamentos, infelizmente, não façam parte da vida de muita gente. Porém, o crescimento de denúncias e casos de polícia são cada vez maiores. Mas afinal, o que está acontecendo? Será que estamos projetando emoções pessoais nos outros? Estamos ansiosos e agressivos de forma desmedida?


Vale ressaltar que que o isolamento social e as dúvidas sobre o momento atual estimulam emoções adormecidas, como já abordamos em outras reflexões aqui na Coluna Fragmentos. É cada vez mais comum observarmos pessoas mais emotivas. Dessa forma, parece, e os relatos confirmam, que até pequenos contratempos estão tomando grandes proporções. São atitudes impulsivas que revelam a perigosa intolerância.


Outra agravante para quem está em casa é a falta de percepção da passagem do tempo. Além disso, o trabalho em home office tem extrapolado o limite das horas. Muitas pessoas tem manifestado um esgotamento e até mesmo uma aversão a esse "novo" formato de trabalho. Um aumento no volume de demandas, como longas e exaustivas reuniões e mensagens fora de hora, até mesmo de madrugada. É como se o excesso das demandas laborais desviassem as pessoas de pensar sobre a realidade em que o mundo vive hoje. Porém, essa fuga não muda o fato de estamos em meio à pandemia. Ao contrário, ela pode potencializar e disfarçar as emoções que, em determinados momentos, se evidenciam em atitudes descompassadas.


É adentrando neste cenário que observamos outros sintomas de um mal estar. Já observou o quanto as pessoas estão ansiosas por falar? Em contrapartida, nota-se tantas outras mais silenciosas, recolhidas. A relação com a alimentação também tem denunciado uma ansiedade em muita gente, sendo pelo excesso ou perda do apetite. Os casos de insônia e pesadelos também aumentaram. Assim como os relatos cada vez mais frequentes de tremores repentinos, um coração que dispara e um medo excessivo de sair de casa.


São essas e tantas outras emoções e atitudes que devem ser observadas com maior cuidado neste momento. Hoje, mais do que nunca, é preciso que cada um olhe para a sua forma de sentir e comportar-se. Avaliar se as atitudes estão condizentes com os fatos ou se estão saindo do controle precisa ser um exercício diário.


É compreensível que as emoções fiquem mais intensas neste momento de pandemia. Mas não se pode deixar de buscar ajudar-se para modificar aquilo que está alterando as suas emoções, o seu equilíbrio. Evitar um adoecimento que leve ao descontrole consigo e com os outros deve ser um compromisso pessoal.


Por isso, vamos transformar em prática diária atos que representem os sinônimos para tolerância, tranquilidade, paciência e cuidado, como mencionado no início dessa reflexão. Lembrando que são sentimentos e comportamentos assim que evitam um adoecimento pessoal e freiam exageros que podem nos tornar vítimas ou carrascos por meio de atitudes impulsivas, agressivas e impensadas, do medo e da confusão de emoções.


Afinal, o momento pede cuidado e calma, e não um cenário de pessoas se agredindo nas ruas e dentro das próprias casas.


***

Conheça Aleandro L. Rocha

49 visualizações

Posts recentes

Ver tudo