ENCONTROS POSSÍVEIS E DESENCONTROS IMAGINÁRIOS

Por ALEANDRO L. ROCHA

Coluna Fragmentos

Observando a dinâmica dos relacionamentos, percebe-se a grande quantidade de desencontros nos quais deveriam haver encontros. São propostas que se iniciam com grandes promessas, mas que deságuam em finais confusos e tristes, antes mesmo de começar. São atitudes que revelam um mal-estar resultante de experiências ruins e seus arranhões mal curados. Nesse círculo vicioso encontram-se pessoas confusas e suas histórias incertas, mal construídas, não finalizadas, o que inviabiliza novas histórias e encontros possíveis.


Por descuido ou medo, nessa dinâmica perigosa que envolve os relacionamentos, os desencontros, que deveriam ser exceção, costumam prevalecer. Parece que muitas pessoas preferem “caminhar com dificuldades” a aceitar que os encontros também são possíveis. Será que se desaprenderam a viver relações reais? É medo de se machucar? Pode ser punição inconsciente, sentimento confuso, mal elaborado, e transferido de forma errada. Talvez, sim. Quem sabe, por isso, é tão comum dizer “saudade” onde deveria ser “ontem foi bom”, “quando voltaremos a nos ver?” ou “o que faremos amanhã?”


A pessoa que não observa as próprias ações repetitivas pode deixar de acreditar que uma relação pode dar certo, e cultiva, muitas vezes de forma inconsciente, o sentimento de “não merecedor”, e isso afasta pessoas, provocando desencanto consigo próprio e com o outro.


Para o bem ou para o mal, existe, ainda, a tendência à virtualização das relações. O ato de se conectar possibilita o recebimento e a divulgação de histórias e reflexões sobre a vida e as dinâmicas das relações, a cada minuto. As mensagens chegam em forma de belos textos, com lindas imagens e músicas. Parece que isso motiva e une. Parece. Pois assim que as recebemos, compartilhamos pelo whatsapp, facebook e outras redes. Mas essas mensagens passam tão rápidas quanto chegam, e poucas vezes nos impulsionam a vivenciá-las na vida real.


O que as pessoas têm feito para encurtar caminhos para as realizações concretas? E a atitude? Em que lugar está a coragem para arriscar e buscar os sonhos de caminhar com alguém? Parece que, às vezes, é mais cômodo continuar sofrendo numa relação ruim, ou viver desencantado, do que acreditar e agarrar-se em uma nova oportunidade. Basta observar o tempo enorme que muitos gastam falando dos seus desencantos, das pendências do término de um casamento, por exemplo, do que atuar em um novo caminho. Será que não estamos fechando os nossos ciclos? Onde está o exercício de elaboração das nossas histórias? Uma atitude tão necessária para seguirmos mais livres em nossos projetos de vida.


Por medo ou dúvida, esquecemo-nos de que a única oportunidade de vivência está no presente, no aqui e agora; o resto é possibilidade, pretensão. Estar feliz é uma disposição que exige atitude, não uma projeção para o futuro. Agir requer coragem. A pessoa que adia a concretização de seus sonhos, adia a própria vida.


Ao buscar uma nova relação, as pessoas precisam conhecer a si mesmas e projetar menos expectativas em quem surge em suas vidas. Mulheres e homens que conhecem um pouco do que realmente são também sabem o que querem, até aonde podem ir, o que esperam do outro e o que podem oferecer a quem cruzar o seu caminho.


Sonhar é bom. Mas não se esqueça de que levar o sonho para uma relação real, é bem melhor. Por mais arriscado que possa parecer, é melhor chorar por uma tentativa frustrada do que ficar imaginando uma situação não vivida.


Vamos pensar em atuar mais? Final de ano é um bom momento para pensarmos nos encontros possíveis.

12 visualizações