Estes cinco anos foram os anos mais quentes da história

Atualizado: Fev 17

Por EDUARDO LADEIRA MOTA


Na véspera da cúpula climática que reunirá cerca de sessenta líderes em Nova York, a ONU relata uma longa lista de más notícias.


Espera-se que os cinco anos de 2015 a 2019 sejam considerados os mais quentes já registrados, depois de um verão quente de 2019, informou neste domingo a ONU. Uma cúpula climática com a participação de cerca de 60 líderes mundiais em Nova York está programada para começar a partir dessa segunda-feira (23/9).


Prevê-se que a temperatura média para o período 2015-2019 seja 1,1 ° C maior que o período de 1850-1900, afirma o relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), que fornece um instantâneo do que há de mais atual sobre o clima da Terra.


Os dados mais recentes confirmam a tendência dos quatro anos anteriores, que já eram os mais quentes já registrados, ou seja, desde 1850. Também se sabia que julho de 2019, mês marcado por várias ondas de calor, especialmente na Europa, haveria a quebra do recorde absoluto de temperatura.


Carvão, petróleo e gás continuaram a crescer em 2018.  As emissões de gases de efeito estufa aumentaram novamente e, em 2019, serão “pelo menos tão altas” quanto 2018, dizem os cientistas que trabalharam neste relatório para a ONU. Espera-se que a concentração de CO2 na atmosfera atinja um novo pico no final de 2019, de acordo com dados preliminares, ou seja, na medida de 410 partes por milhão.


Cinco vezes mais esforço


No estado atual dos compromissos dos países de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, o planeta estará mais quente de 2,9 a 3,4 ° C até 2100.


Isso mostra que os esforços dos países precisam ser multiplicados por cinco para conter o aquecimento a 1,5 ° C, conforme estipulado no Acordo de Paris de 2015. Ou pelo menos três vezes para manter em 2 ° C o limite máximo estipulado pelo texto. De fato, o aquecimento real pode ser ainda maior, de acordo com modelos climáticos mais recentes, como o de uma equipe francesa que prevê 7 ° C no pior cenário.


“A diferença nunca foi maior” entre o que o mundo deseja alcançar e a realidade dos planos climáticos dos países, alerta o relatório.


É essa lacuna que o secretário-geral da ONU, Antônio Guterres, quer começar a preencher, recebendo cerca de sessenta líderes nesta segunda-feira, às vésperas da Assembleia Geral da ONU, três dias após as monstruosas manifestações dos jovens em todo o mundo. Muitos líderes devem prometer alcançar a neutralidade do carbono até 2050, disse ele.


A lista de más notícias sobre o estado do planeta é longa e minuciosamente detalhada pelo relatório da OMM. Por fim, também o aumento do nível dos oceanos acelera. Na última década, a taxa aumentou para 4 milímetros por ano, em vez de três por ano, devido ao derretimento acelerado das calotas polares nos polos norte e sul, confirmado por vários estudos e observações por satélite.

(Matéria publicada originalmente no Jornal Le Matin, da Suíça)

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