ESTROGONOFE DE FRANGO

Por ANDRE R. COSTA OLIVEIRA



“Existem nas recordações de todo homem coisas que ele só revela aos amigos. Há outras que não revela mesmo aos amigos, mas apenas a si próprio, e assim mesmo em segredo. Mas também há, finalmente, coisas que o homem tem medo de desvendar até a si próprio." (Dostoiévski)

​​O estrogonofe é bem simples, rende bem e agrada a praticamente todos os paladares. Pode ser feito com carne bovina, carne suína, frango, camarão e o que mais vier à mente. Há estrogonofes, inclusive, em formas de sobremesas, concebidos à base de nozes entre outros ingredientes. Sua origem é um pouco controversa. De acordo com alguns historiadores, o prato vem da família russa Stroganov, cuja origem é quase milenar. Foi servido ao longo dos séculos, durante os reinados de Pedro, o Grande (1672-1725), Alexandre I (1777-1825) e das derradeiras dinastias czaristas.


Contudo, já em consonância com a (quase) soberana enciclopédia Larousse Gastronomique, é possível que o nome seja derivado do verbo strogat, que, em russo, significa algo como “aparar”, “retalhar”, “ceifar” algo aos pedaços.


Mas isso não importa muito. Afinal de contas, “quanto mais sublimes forem as verdades mais prudência exige o seu uso; senão, de um dia para o outro, transformam-se em lugares comuns e as pessoas nunca mais acreditam nelas” (Gogol). Vamos ao estrogonofe de frango:


Pedaços pequenos, pouco sal, levados à panela com azeite já aquecida em fogo baixo, por alguns minutos. Adicione cebolas picadas alho. Deixe flambar em conhaque. Não se preocupe com um eventual excesso.


“Eu não gosto de pessoas que nunca caíram ou que nunca tropeçaram. A virtude delas é sem vida e não vale muito. A vida não lhes revelou sua beleza”. (Pasternak)

Dois copos médios de água, dois pacotes de creme de leite, deixe cozinhar pelo tempo que achar necessário, sem ferver. Mexa aleatoriamente, devagar, não precisa obedecer a alguma ordem ou sentido específicos. Aliás, “só tolos e charlatães pensam que sabem e compreendem tudo. Quanto mais estúpidos são, mais amplos supõem ser seus horizontes. E se um artista decide declarar que não entende nada do que vê — isto por si só constitui uma considerável clareza na esfera do pensamento e um grande passo adiante.” (Tchekhov).


Observe as cores, utilize pimenta-do-reino vermelha e verde. Coloque azeitonas sem caroço. Cumpre destacar que os franceses adicionam páprica e champignons, e aqui no Brasil a gente utiliza milho. Os britânicos capricham no molho inglês, e os americanos, no ketchup. Cada um faz de uma forma.


“Um dos preconceitos mais conhecidos e mais espalhados consiste em crer que cada homem possui como sua propriedade certas qualidades definidas, que há homens bons ou maus, inteligentes ou estúpidos, enérgicos ou apáticos, e assim por diante. Os homens não são feitos assim. Podemos dizer que determinado homem se mostra mais frequentemente bom do que mau, mais frequentemente inteligente do que estúpido, mais frequentemente enérgico do que apático, ou inversamente; mas seria falso afirmar de um homem que é bom ou inteligente, e de outro que é mau ou estúpido. No entanto, é assim que os julgamos. Pois isso é falso. Os homens parecem-se com os rios: todos são feitos dos mesmos elementos, mas ora são estreitos, ora rápidos, ora largos, ora plácidos, claros ou frios, turvos ou tépidos” (Tolstói).

Sirva com arroz branco, batata palha extrafina, decore o prato com carinho.


“O talento desenvolve-se no amor que pomos no que fazemos. Talvez até a essência da arte seja o amor pelo que se faz, o amor pelo próprio trabalho”

(Gorky).

E, em tempos de isolamento social, jamais se esqueça de que “um bom guerreiro não é apenas aquele que não perdeu a coragem numa operação importante, mas também aquele que não se aborrece no ócio, que suporta tudo e que, haja o que houver, consegue prevalecer." (Gogol).


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