EXCLUSIVO: COMO BATTISTI FUGIU DO BRASIL, COMO FOI MONITORADO PRESO

A cidade de Barreirinha, no Amazonas, fica situada nos confins da selva, a 331 quilômetros de Manaus, às margens do Rio Andirá, que mereceu do Wilkipedia esta definição: “O belo rio Andirá, de águas esverdeadas, às vezes mansas, ora revoltas, que banham lindas praias de areias alvas”.

A cidade, de pouco mais de 30 mil habitantes, iria adormecer para sempre num desvão da história se não fosse pelo fato de ter sido a último rincão brasileiro a ser visitado por Cesare Battisti antes de atravessar o Rio Amazonas, via afluente Andirá, e entrar em território da Bolívia, chegando a Santa Cruz de la Sierra, onde finalmente foi preso.

O avião particular e sem registro – Um hidroavião – sem qualquer característica de registro junto às autoridades aeronáuticas – conduziu Battisti diretamente de Campinas, São Paulo, primeiro passo de sua fuga a partir de Cananéia, no litoral paulista.

Em 25 de dezembro, uma terça-feira, portanto, 15 após ter sacado o dinheiro, o piloto da aeronave executou um pouso forçado numa ribanceira e depois a abandonou. Os destroços puderam ser fotografados pelos agentes da Polícia Federal e os italianos da Interpol que chegaram logo depois.

Provavelmente sem combustível, devido a longa viagem, o hidroavião foi encontrado por moradores da cidade. Naquela altura Battisti já deveria estar escondido num ponto estratégico da imensa selva entrecortada por caudalosos rios, preparando-se para atravessar o Rio Amazonas e chegar à Bolívia.

Uma fuga rocambolesca, como sempre foi o perfil do terrorista italiano, perito em evasões espetaculares.

Porém, ao contrário do que insinuou a imprensa brasileira, que informava um suposto bate-cabeça da Policia Federal com a Interpol italiana, seus passos em território nacional e os próximos em países fronteiriços estavam sendo monitorados por terra e através dos satélites.

Os policiais trabalhavam arduamente em vários cenários opcionais do roteiro de fuga, numa varredura policial como jamais fora feito no Brasil.

Atrapalhou os planos de detenção do terrorista a situação institucional vivida pelo país com a transição iminente do governo Temer para Bolsonaro. Esperto, Battisti aproveitou-se da situação de tensa passagem de comando, para fugir.

Obteve vantagem sobretudo da assinatura do decreto pelo então presidente Michel Temer, permitindo a extradição – que nos códigos jurídicos é chamado de “Exequatur” ( execução da extradição) – só ter ocorrido em 12 de dezembro, uma quarta-feira, à tardinha (17h3O), com mais dois dias para publicação.

Nesse dia, como a narrativa dos fatos subsequentes irá demonstrar, Battisti, avisado por seu círculo de amigos no PT e apoiadores financeiros e logísticos, já sabia há pelo menos quatro dias, que o ato de sua extradição seria assinado por Temer.

A Policia Federal e as autoridades policiais de diplomáticas italianas, trabalhavam perfeitamente articuladas e estavam atentas a tudo, a todos os detalhes.

Ao contrário do que informava a imprensa brasileira, criticando a falta de qualificação para localizar Battisti, o bloco agia pr terra,. mar, rios e ar, mas só poderia avançar na captura após o “Exequatur.”

Além da bloco policial e diplomático somou-se a base jurídica, garantida pelo famoso causídico Nabor Bulhões, que deu assistência jurídica à República Italiana durante todo o processo e manteve-se articulado com as demais peças da operação em campo.

Seus contatos diretos com o embaixador da Itália no Brasil, Antonio Bernardini, se fizeram intermitentes, mesmo quando Bulhões encontrava-se em Nova Iorque.

Foi auxiliado pelo advogado Ricardo Freire Vasconcellos, que se aprofundou nas pesquisas e investigações pessoais ao longo dos anos de processo Cesare Battisti e tornou-se o esteio jurídico da vitória da da lei brasileira neste histórico e rumoroso caso de extradição.

Ajudado por um vazamento, sacou dinheiro e fugiu – Para chegarmos até Barreirinha, nos confins do Amazonas, onde o hidroavião em pane executou um pouso forçado, será necessário antes estabelecer um cronograma dos acontecimentos até aquela data.

10 de dezembro de 2018. Início do plano de fuga de Cesare Battisti. Nesse episódio e e em outros, antes e depois, o roteiro dos passos do terrorista italiano está religiosamente levantado em registros da PF através de monitoramento de conversas por celular com pessoas que o ajudaram.

Naquele dia, uma segunda-feira. Battisti foi à agência do Banco do Brasil em Cananéia, litoral de São Paulo, a 266 quilômetros da capital, com seus pouco mais de 13 mil habitantes, e onde se refugiou. Lugar tranquilo e perfeito para preparar um plano de fuga, entre uma cerveja gelada e outra num quiosque de praia.

Sacou no banco uma quantia alta, de R$ 2O a R$ 3O mil, em apuração pelo COAF. Era o que precisava para os preparativos, como aluguel do hidroavião que partiria de Campinas com destino a Barreirinha. Tudo milimetricamente engendrado na cabeça maquiavélica de Battisti.

Largou em Cananéia a casa, cuja chaves deixou com um amigo, seu carro, e foi de Uber para Campinas.

Por tudo estar tão concatenado com o que acontecia em Brasília entre o Governo Temer e o Governo Bolsonaro os investigadores suspeitam que o terrorista foi brindado por um vazamento de dentro do Supremo Tribunal Federal para correr ao banco e fazer o saque atípico.

Vazamento este que só poderia ter sido feito por pessoa de acesso aos eminentes que detinham o poder de determinar a extradição.

De fato, dois dias depois, em 12 de dezembro, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, mandou prender Battisti, Temer levaria mais dois dias para assinar o “Exequatur”. Battisti, nessa hora, já estava longe, quase atravessando a fronteira, embrenhando-se a pé pela mata após o avião cair, cruzando o rio para chegar são e salvo à Bolívia.

Suspeita dos investigadores: Venezuela no mapa de Battisti – Ao mesmo tempo, cristalizou-se outra suspeita, a de que no seu mapa de opções de fuga estava buscar refúgio na Venezuela, o que só não teria ocorrido por causa da pane do avião que caiu nas margens do Rio Andirá.

O insuspeito jornal italiano Corriere dela Sera publicou essa informação com detalhes na sua edição desta qiuarta-feira, 16.

Lá, na Venezuela, poderia quem sabe se valer do regime bolivarianista para encontrar rotas de proteção mais seguras para ele, um protegido do PT, endeusado por Nicolás Maduro.

Mas não deu certo. Um perito em fugas anteriores – da Itália para a França, da França para o México, do México para o Brasil – deveria ter esquematizado em sua cabeça várias opções, caso se apresentassem embaraços. A Bolívia era uma dessas opções, pois o regime de Evo Morales, igualmente bolivarianista, lhe seria acolhedora.

O complexo de inteligência policial-diplomático-jurídica brasileiro e italiano, que trocou informações e dados de satélite durante todo o desenrolar do desfecho da extradição, com muitos agentes inclusive deixando de comemorar o Natal junto a suas famílias, levantou outra fundada suspeita.

O que fez Cesare Battisti durante os dias após deixar Campinas, em São Paulo e atravessar a fronteira – o que, teoricamente, terá ocorrido em 1 de janeiro, para se beneficiar com o desvio de atenções da segurança nacional com a posse de Bolsonaro?

Afinal, foram 20 dias na Amazônia, até chegar à Bolívia. Quem o terá albergado e o mantido a salvo das fotos das buscas polícia e das varreduras dos satélites?

As suspeitas recaem sobre as ONGs que atuam na Amazônia. Formadas por padres italianos, desenvolvem ações reconhecidas por sua legitimidade humanitária e junto aos indígenas da região. Suas escolas para índios são bem conservadas e com método educacional.

Como existem pelo menos 15 ONGs desse modelo em atuação na selva as suspeitas se instalaram na cabeça dos policiais, ainda mais fortalecidas com o depoimento do piloto da aeronave em depoimento às autoridades de Barreirinha de que se dirigia a uma comunidade indígena, e por essa causa estão sob cerrada investigação.

O papel de Sergio Moro antes e depois da posse – O papel do ministro Sergio Moro no desenlace do Processo Battisti – o qual já estava criando fissuras na imagem externa do Brasil – foi fundamental antes mesmo da posse do novo governo.

Já na condição se ministro escolhido por Bolsonaro para a Justiça, Moro esteve no centro de gravidade de um sistema de troca de informações e desenvolvimento de estratégia de inteligência para, primeiro, prender Battisti, segundo, localizá-lo após a fuga de seu último endereço declarado às autoridades brasileiras, terceiro, extraditá-lo para a Itália, segundo o rito do Tratado .

Naquele momento, Moro já se havia inteirado completamente do aparto de Estado – Policia Federal, Policia Rodoviária Federal, além do COAF e outros instrumentos – além de se articular com a Interpol da Itália.

Era preciso começo do governo Bolsonaro, e nesse agir de imediato se aguardar o ponto a equipe de Temer foi altamente cooperativa através do então ministro Raul Jungmann.

O COAF foi vital dadas as fundadas suspeitas de que Battisti havia sido subsidiado pelo crime organizado na manutenção financeira e posterior fuga.

Quando da sua localização na Bolívia, a participação de Moro se intensificou com a troca de informações entre as investigações brasileiras e bolivianas que resultaram no êxito da operação, conforme testemunhou o advogado Ricardo Vasconcelos, que, como integrante da equipe de Nabor Bulhões foi mantido a par de toda a evolução do procedimento.

O jurista em viagem ao exterior, manteve intensivo fluxo de contatos com o embaixador da Itália e apoiou-se na conexões de campo do advogado Ricardo Vasconcellos, do que resultou na negociação da prisão de Battisti e o seu envio direto de Santa Cruz de la Sierra para a Itália.

Foi assim evitada sua reentrada no Brasil sem assumir o risco de uma liminar de advogado no Supremo Tribunal Federa ou decisão um juiz de primeira instância para interromper o cumprimento da Justiça.

(*) Brevemente, todo o conteúdo do livro “BATTISTI – O PROTEGIDO DO BRASIL'” será disponibilizado neste site.

1 visualização