EXPLORAÇÃO... NÃO!

Por BENTO CRUZ

Coluna Histórias de um Velho Marinheiro

Mulheres não podem ser exploradas. Na década de trinta conheci minha esposa, uma morena muito bonita. Ela trabalhava em uma fábrica de sapato onde gerenciava 3.600 colaboradores.


Era ela quem fazia o pagamento de todos da fábrica, até o dinheiro da esposa do dono era ela quem dava. A responsabilidade era tão grande, que ela dormia com a chave do cofre e com um revólver debaixo do travesseiro. Nunca foi assaltada, mas era precavida.


Apesar de todo seu talento e dedicação, ganhava muito pouco. Quando éramos namorados, sempre que saíamos, apesar de eu fazer questão de pagar a conta, ela sempre tinha dinheiro na bolsa.


Quando casamos, eu ganhava umas vinte vezes mais do que ela, e vendo aquela exploração, eu disse: você não precisa trabalhar, dá para gerenciamos o dinheiro que recebo. O problema não era o fato dela trabalhar, tanto que posteriormente exerceu diversas atividades. Mas era pelo abuso, pelo desaforo dela receber tão pouco.


Ela entendeu e também precisava de um descanso, pois estava com exaustão extrema. Não demorou muito para o dono da fábrica bater na minha porta e pedir para ela voltar a trabalhar para ele, pois o gerente que ele havia colocado o estava furtando.


Eu disse um grande e prazeroso não em razão dele nunca ter valorizado o trabalho dela. Tempos depois ele teve que entregar a fábrica para os colaboradores como pagamento de dívidas e ficou cego por não ter tratado de uma doença.


Mulheres precisam ser espertas, trabalhadoras, fazerem escolhas certas, para viverem bem a vida. A minha última briga na rua (assim creio eu) aconteceu, quando eu estava a caminho dos meus setenta anos. Motivo: vi um homem batendo em uma mulher. Na hora não pensei na idade e nem em nada, fiquei cego de raiva com a injustiça acontecendo bem na minha frente. Naquele momento o corpo encontrou o vigor de quando eu era menino.


Na volta da escola rural, parava perto do rio, onde sempre ocorriam brigas e disputas sobre quem derrubava o outro, já que o solo normalmente estava com uma sensação térmica infernal.


Dos meus filhos, só a caçula não quis praticar artes marciais, a do meio foi para o judô, assim como o mais o velho que já passou da faixa preta. Não sou a favor da violência, mas é preciso saber usá-la se necessário.


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