Falta Investimento em Hub Internacional no Brasil

Atualizado: Fev 17

Por PAULO BEZERRA & LUCINEIDE CRUZ


Estamos perdendo uma grande oportunidade de utilização de nossos aeroportos no Nordeste Brasileiro.


No extremo nordeste brasileiro ficam as capitais mais próximas da Europa e África. Fortaleza, Natal e Recife tem uma boa infraestrutura aeroportuária.


Há hotéis, além de atrativos para turistas, porém os aeroportos das duas últimas cidades estão com a utilização muito abaixo de suas capacidades.


No mundo há lugares que possuem posições geográficas privilegiadas para hub (centro de conexão), como por exemplo: Panamá, Islândia, Portugal, Cabo Verde e Nordeste Brasileiro, além das famosas Dubai e Atlanta (maiores aeroportos do mundo), sendo que estas duas cidades se fizeram interessante por estratégia de suas companhias aéreas, pois perto de Dubai encontram-se diversas cidades que poderiam substituí-la, assim como Atlanta, que não é a maior cidade americana nem a melhor posicionada, mas tem o aeroporto mais movimentado do mundo.


Fazer uma conexão pode evitar ficar, por exemplo, mais de 17 horas na mesma poltrona e permanecer tanto tempo sentado pode ser extremamente cansativo, além de prejudicial a circulação.


Com uma parada é possível esticar as pernas, fazer uma refeição sentado em uma mesa quenão balança, toma um bom café e até mesmo compra algo.


Há companhias que utilizam-se de hub’s para oferecer stop-over, que consiste na oportunidade de conhecer o local que está no meio caminho, atraindo com isto mais passageiros e promovendo o turismo local.


Imagine aproveitar para conhecer o canal do Panamá ou Dubai a um pequeno custo adicional (permanência, alimentação, passeios, compras e transporte), pois as companhias não alteram demasiadamente o preço da passagem, às vezes nem cobram por isso.


Acreditava-se que o mercado comportaria aviões de enormes dimensões, um fabricante europeu desenvolveu um avião que levaria até 850 pessoas. Em 2005 esse gigante fez seu primeiro voo, o fabricante americano correu para desenvolver um concorrente à altura, pois seu produto que estava voando desde 1969 era pequeno se comparado à novidade, mas antes fizeram um estudo e estes demonstrou que não havia mercado, então desistiram do projeto e investiram em outras soluções.


Recentemente o fabricante europeu anunciou o fim do seu super avião. O último sairá das fábricas em 2021.


Atualmente os aviões mais utilizados, que pertencem aos dois fabricantes, comportam aproximadamente 500 passageiros, mas os seus novos e atuais produtos mal chegam a 400, confirmando os estudos feitos nos Estados Unidos.


Estivemos em Salvador e vimos um avião islandês no aeroporto, assim que chegamos ao nosso local fomos pesquisar e lemos que a companhia de Cabo Verde fora comprada em 2017 e pretende utilizar sua posição na África para o segundo hub dos islandeses.


Qual é o atrativo da Islândia, Panamá, Portugal e Cabo Verde? Nenhum que justifique tanto passageiro (justiça seja feita, Portugal vale a pena). Porque eles dispõem de 32 aviões e 23 destinos; 111 aviões e 80 destinos; 108 aviões e 93 destinos; e 4 aviões e 8 destinos respectivamente? Do Brasil partem 7 voos para o Panamá, 9 Para Lisboa e 5 para Cabo Verde.


Será que até hoje ninguém reparou a existência de Natal, Fortaleza e Recife? Elas são localizadas em pontos estratégicos e poderiam servir de hub para voos para a Europa e norte ocidental da África. Embora uma companhia aérea brasileira utilize Fortaleza para voos para Amsterdam e Paris (o de Atlanta foi descontinuado). Falta maior investimento, pois a utilização do Ceará como base é muito tímida.


Peguemos as maiores e principais cidades do sul da América do Sul, que são: Santiago;Buenos Aires; São Paulo; Assunção;Montevideo; La Paz; Rio de Janeiro; Brasília;Porto Alegre; Belo Horizonte e Curitiba.


Além dessa onze ainda temos Goiânia, Florianópolis, Córdoba, Mendonza, Cochabamba, Campo Grande e Vitória. Investir em hub permitiria que tivéssemos, por exemplo, dois voos diários em aviões de pequeno porte, e as cidades menores poderiam ter 2, 3 ou 4 voos semanais, todos dirigindo-se para Natal, Fortaleza e Recife (estas três cidades também poderiam ser alternadasdependendo do dia) e de lá partir para as principais cidades da Europa, como: Lisboa;Porto; Madri; Barcelona; Sevilla; Roma; Milão;Paris; Londres; Amsterdam; Copenhague;Frankfurt; Berlim, que estão mais ao lado ocidental da Europa. Independente dos ganhos na aviação, essas três cidades ganhariam em injeção de dinheiro em hotelaria, alimentação, infraestrutura, logística e turismo.