Finalmente, o Brexit

Atualizado: Fev 17

Por CÉLIA LADEIRA MOTA


Nesta sexta-feira, 31 de janeiro de 2020, às 23 horas no Reino Unido e às 20 horas de Brasília, o Big Ben vai dar a primeira badalada que marca a saída inglesa da União Europeia. Já no continente, os sinos das igrejas ficarão em silêncio. Afinal, é a primeira vez que um país deixa a UE desde a sua criação, há 47 anos.


Brexit é uma abreviação para British exit, ou saída britânica. E, de fato, não foi uma saída à francesa, pela porta dos fundos. Votada em plebiscito, discutida no Parlamento, com derrubada da primeira-ministra Theresa May, nunca uma saída foi tão anunciada, ou badalada, a ponto de mobilizar a própria rainha Elizabeth II.

Sem os votos ou o apoio dos trabalhistas, a saída foi orquestrada desde o começo pelo partido Conservador. Coube ao primeiro ministro David Cameron cumprir uma promessa de campanha colocando em votação, em 23 de junho de 2016, o referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia. Com o voto contrário da maioria dos londrinos e o apoio de eleitores de outras cidades do país, o Brexit foi aprovado por uma margem apertada. 52% dos eleitores votaram por abandonar o bloco, enquanto 48% queriam a permanência.


A votação contou com a participação de 72% das 45,6 milhões de pessoas aptas a votar. De acordo com pesquisas conduzidas por veículos britânicos como o The Guardian e o The Telegraph, Inglaterra e País de Gales votaram pela saída, com 53,4% e 52,5% dos eleitores tendo se posicionado dessa forma. Já na Escócia e Irlanda do Norte, a maioria das pessoas desejava ficar na UE: 62% e 55,8%, respectivamente.


A decisão marcou os rumos do partido Conservador, primeiro com o empenho da primeira ministra Theresa May, que não conseguiu por três vezes votar a saída no Parlamento inglês. Entrou em cena o atual primeiro ministro Boris Johnson, popular, que jogou todas as cartas até marcar oficialmente a data de 31 de janeiro como prazo final da saída. Porém nada será muito fácil.


Afinal, a decisão de continuar por conta própria, sem o apoio dos demais países europeus, ainda é uma incógnita para a maioria da população.


O que significa de fato o Brexit a partir de agora?  Não mais tomar o trem na estação de Waterloo e atravessar o canal da Mancha até a França? Ou alterar tarifas de importação e exportação usadas até então? Que burocracias vão redefinir as relações entre o Reino Unido e os países da União Europeia?


Como quem entra num túnel com os olhos vendados, a população do Reino Unido está apostando na coragem para enfrentar os dias que hão de vir. Estima-se que levará ao menos dois anos até que o país se desligue da União Europeia. Os termos dessa negociação precisam ser esclarecidos.


Além disso, o país precisará resolver questões internas. Especialmente quando se considera que Escócia e Irlanda do Norte já anunciaram o desejo de rever a sua permanência.


Numa época em que a globalização domina as atividades econômicas e sociais da maioria dos povos, que assinam protocolos bilaterais e multilaterais para a própria sobrevivência, como ficam os ingleses na sua solidão aprovada? Se até o príncipe Harris já debandou, como ficam os ingleses agora? Será sem dúvida um ano de muitas decisões e debates. A acompanhar.


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