Impactos da Reforma Trabalhista na Área da Gestão de Pessoas

Atualizado: Mar 4

Por LUCINEIDE CRUZ & JULIANA PONTELO


Recentemente completou dois anos de vigência da Lei 13467/2017, denominada Reforma Trabalhista, que entrou em vigor no dia 11 de novembro de 2017. Esta alterou mais de cem artigos da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT e consequentemente trouxe consigo mudanças na relação de trabalho.


Diante deste cenário fica a pergunta: como a mudança na legislação trabalhista impactou a área de gestão de pessoas?


Uma das possíveis respostas é a de que o empreendedor teve a possibilidade de fazer contratações em conformidade com sua demanda de trabalho, dado que o trabalho intermitente permite a contratação por horas, dias ou meses do colaborador.


De um lado isto pode reduzir o custo na folha de pagamento, porém gera a necessidade de ter uma gestão ainda mais atenta aos trabalhadores, pois ao fazer, por exemplo, a contratação de duas horas de serviço, por este período o colaborador representará a organização e responderá por ela, então se houver falha no treinamento, haverá falha no atendimento.


Outra mudança foi o acréscimo de um capítulo referente ao teletrabalho, onde o colaborador desenvolver suas atividades predominantemente fora do ambiente organizacional, podendo comparecer à organização periodicamente para participar, por exemplo de reuniões.


A implantação do teletrabalho em uma organização demanda muito estudo, análise e acompanhamento, pois não são todos os colaboradores que possuem o perfil para o teletrabalho. Os motivos podem ser inúmeros. Entre eles: falta de disciplina, necessidade de interação social no trabalho, falta de estrutura e organização familiar para o desenvolvimento do trabalho.


Do lado da gestão, quando se trata de coordenar o trabalho de teletrabalhadores, há inúmeros pré-requisitos, como por exemplo: ter a visão sistêmica do trabalho para poder dividi-lo em etapas, atribuições e funções; fazer um rigoroso acompanhamento do trabalho, para identificar se a junção do que foi distribuído para teletrabalhadores será entregue da forma certa, na data certa de forma a cumprir o cronograma; saber motivar, acompanhar, identificar e sanar dificuldades por meio de instrumentos telemáticos.


De uma maneira geral, para a área de gestão de pessoas, a reforma trabalhista trouxe inúmeros desafios, desafios estes que se superados farão com que as organizações desenvolvam ainda mais suas habilidades no que se refere à planejar, organizar, coordenar, liderar e controlar seus esforços.


Do lado do trabalhador, principalmente quando ocorrer um maior número de contratações via trabalho intermitente, este precisará estar ainda mais atento a sua empregabilidade, desenvolvendo um bom trabalho e tendo um excelente relacionamento interpessoal, para poder ser indicável pelos colegas quando estes souberem de oportunidades de trabalho; ser de fácil adaptação a novas culturas e continuamente estar atento às mudanças sua área de atuação.


A reforma trabalhista ocorreu, resta agora tanto empregadores quando trabalhadores compreenderem as mudança e os impactos que estas podem causar seja na organização, na empregabilidade ou no planejamento de carreira.


*Juliana Pontelo: Escritora, contadora e palestrante. Coautora da obra Reforma Trabalhista Simplificada e diversas obras na área de gestão organizacional e de pessoas.

Conheça a nossa colunista Lucineide Cruz e leia outros artigos de sua autoria:

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