INSPIRAÇÃO DA FRENTE AMPLA DE LISBOA SE INSTALA NO CAMPO PROGRESSISTA

Se 3 adversários irreconciliáveis puderam sentar e pactuar em Lisboa um ativismo comum em 1967 – JK, Carlos Lacerda e Jango – constituindo a Frente Ampla contra o regime militar, porque não poderiam sentar e conversar agora adversários tidos como irreconciliáveis, como Fernando Haddad, Ciro Gomes e Fernando Henrique Cardoso?

A motivação é a mesma: constituir uma frente no campo progressista conta a insurgência do que chamam risco de novo ciclo autoritário no País, sob um eventual governo Jair Bolsonaro apoiado pelos militares.

Há semelhanças na forma, porém no fundo há que se observar que em 1967 o regime militar impô-se pela força das armas – embora nenhum tiro tenha sido sido dado no chamado “movimento”, como prefere chamá-lo o ministro Dias Toffoll – enquanto nesse atual momento Bolsonaro é uma opção do voto popular, portanto, democrático, segundo as regras eleitorais e dentro da ordem jurídica.

O que Haddad deseja é simplesmente instituir uma frente informal de políticos progressistas para obter vitória no segundo turno e não uma coligação de partidos que expressam as opiniões de amplos segmentos da sociedade.

Senão vejamos: FHC é uma liderança mais moral do PSDB, que está definhando a par de derrotas acachapantes de seus principais quadros, a começar por Geraldo Alckmim, estando ainda Antonio Anastasia ameaçado em Minas e João Dória em São Paulo por seus adversários diretos.

Ciro Gomes foi o terceiro mais votado no primeiro turno, mas vinha declinando em sua intenção de votos. Chegou ao final com 12,5% dos votos válidos mas seu discurso foi incapaz de capitalizar o descontentamento do eleitor progressista com o petismo, que muitos associam à corrupção e crise econômica, o que Bolsonaro soube conquistar com maestria.

Esse simulacro de frente tem como vetor Haddad, que agora abandona seu centro de gravidade – o ex-presidente Lula – e se propõe a ser o candidato presidencial sem mística nem idolatria, para enfrentar um adversário ungido por alta fidelidade de seus seguidores, por eles aspergido de mitologia.

Se pode ganhar o segundo turno, pode, mas terá que recuperar a margem de votos do primeiro turno que o separou de Bolsonaro à base de mais 2O milhões de sufrágios, e o adversário não aumente um só.

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