INVEJA LEVA AO DESCONTROLE FINANCEIRO

Por PAULO BEZERRA

Coluna Educação para o Consumo

Se lhe fossem dadas duas opções de viagem, na primeira você pode realizar seu sonho e ir para o destino paradisíaco do momento, mas não pode postar absolutamente nada referente a essa sua viagem, ou, a segunda opção que seria viajar para um lugar, relativamente, porém todas as suas memórias poderão ir para suas redes sociais. Qual você escolheria?

Se você gosta de postar suas fotos então continue a leitura...

Vivemos hoje em grandes cidades, protegidos por muros de condomínios, que são verdadeiros clubes. Ali vemos o carro novo que o vizinho comprou, os brinquedos das crianças, as vestimentas da moda das pessoas tanto nas churrasqueiras, piscinas e salões, enfim, sabemos e sabem das nossas vidas.

Para alguns isso pode implicar em praticar um dos pecados capitais – A cobiça! Embora o décimo mandamento bíblico, seja justamente o de não cobiçar coisas alheias.

Há pessoas que estão satisfeitos apenas quando podem se exibir, e para isso pode ser que até gastem o que não têm. Quando ando por algumas garagens fico imaginando na quantidade de boletos que uma pessoa é capaz de pagar simplesmente para ostentar.

Vejo veículos que custam tranquilamente mais de 25% do valor do imóvel, e penso: se realmente o morador tem capacidade financeira porque então ele não mora onde aquele padrão de carro é comum? Porque viver apertado e sem condições de pagar o condomínio?

Nestas minhas andanças me deparei com um carrinho de bebê que era trambolho em formato de unicórnio. Enquanto muitos admiravam aquele monstro, já eu pensava em como colocá-lo no bagageiro.

Tudo bem que gosto, preferência, sentimento de poder realizar um desejo são importantes são pessoais, mas alguns precisam ser pensados, como adquirir uma SUV, carro desnecessariamente grande, com tração nas quatro rodas, funcional para fazenda, mas que rodará na cidade, onde nunca verá lama, nem buraco (exceto os de nossas precárias ruas), fora que gastará mais combustível, o custo de seguro e manutenção será maior e terá dificuldade de estacionar, principalmente no centro.

Supondo que uma pessoa adquira um carro adequado para a cidade, que tenha um consumo de combustível interessante e manutenção nada exacerbada, ela poderá utilizar a diferença entre o que gastaria com a SUV para fazer uma boa viagem e alugar uma, para matar sua vontade. Ela terá vivido seus dias com mais tranquilidade, menos dívidas e terá dinheiro para bons dias de lazer.

Eu me pergunto se estas pessoas que dão um passo maior que a perna, em função de ostentação, morassem em uma casa isolada e trabalhasse em home-office, comprariam realmente os carros que estão em suas garagens.

Por que insistimos em mostrar para aqueles que não pagam nossas contas, o que não temos capacidade de ter?

Se for para invejar alguma coisa, que inveje quem estuda, trabalha, se reinventa.


Desejar o que não tem é emagrecer a caixinha para a realização de coisas insignificantes, e perder a chance de realizar os reais anseios (aqueles que não precisam ser mostrados para ninguém).

Inveja e caixinha não combinam!


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