LAR DOCE LAR ?!??

Por ROBERTO NAVARRO

Coluna Estrada das Lágrimas

Começo fazendo algumas perguntas: O que é ser bons pais?

É dar tudo aquilo que não tivemos?

É protegê-los de tudo?

É dar do bom e do melhor?

É proporcionar um lar, uma casa, estudos, roupas, alimentação?

É dar amor, carinho e dedicação?

É prepará-los para o mundo?

É dar uma base sólida de conceitos?

É dar bons exemplos?


Cada um tem suas respostas e podem ser todas elas, não há uma receita correta. Prepará-los para o mundo acho que engloba quase todas perguntas. Mas como fazer isso tenho a minha resposta, mas é minha! Cada um deve se perguntar e tentar fazer o melhor. Olhe o mundo em que vivemos e as possibilidades boas e ruins que ele oferece e treine seus filhos para isso.


Vou contar um pouco sobre duas famílias que vivem próximas e que estão em situação de rua.


Uma família composta por uma mulher com quatro filhos e um companheiro que é pai de seu último filho (vamos chamar de família Pereira) e outra família que é composta por uma mulher, seu companheiro e um filho do casal (vamos chamar de família Souza). Ela tem outra filha mais velha de outro relacionamento que mora com avó.


A família Pereira tem duas barracas onde uma o casal dorme junto e outra onde as crianças dormem (idades: 6,4,2 e10 meses). Passam o dia nas ruas pedindo dinheiro. Quando voltam fazem uso de drogas. As crianças vivem sujas. A mãe diz que ama os filhos, que dá comida e banho, mas como está na rua tem dificuldades para cuidar melhor e não conseguiu creche. Já foram morar em Equipamentos Sociais (Albergues), porém foram convidados a se retirarem de quase todos devido a confusões que arrumam. Não vou entrar aqui no mérito sobre violência infantil pois as providências foram tomadas, apenas quero citar como exemplos.


A família Souza mora ao lado da família Pereira, todos debaixo de um viaduto, tem apenas uma barraca onde dormem os três. A criança tem oito anos, está na escola em tempo integral, toda vez que encontramos está limpo, sorridente, brincando. A mãe tem família com residência fixa, mas não quer ficar lá. Fica por opção na rua. Diz que gosta dessa vida. Quer liberdade. Faz uso de álcool, porém não é frequente. Em dias mais frios procura dormir em hotel próximo. Seu companheiro trabalha com reciclagem e mantém a família da maneira que pode.


Eu poderia citar inúmeras famílias com maneiras e condições diferentes de vida, mas essas duas quero citar como exemplo para reflexão.


A família Pereira acho que é um exemplo de maus tratos infantil, apesar de não haver violência física, existe uma série de contravenções do estatuto da criança e do adolescente, mas o foco aqui é outro. Onde essa família está preparando seus filhos para o mundo? O que esperar de seres que crescem e tem como exemplo esses pais? Dar banho de vez em quando e comida e fazer um carinho as vezes é amor?


A família Souza aparentemente cuida muito bem do garoto de oito anos, mas esse estilo de vida é o melhor para prepará-lo para o mundo? É esse estilo de vida que ele quer? Ou a mãe que escolheu viver assim e o garoto acompanha? Será que esse filho no futuro vai agradecer a mãe por ter ficado com ele mesmo na dificuldade? Ou será que ele vai se revoltar por ter sido uma escolha dela? Ter um lar mas não quatro paredes que o cercam fará diferença no futuro?


Pois é.…fico sempre refletindo quando me deparo com essas situações. Lembre-se, antes de julgar pelos nossos padrões de vida, vamos observar, tentar entender as razões de determinadas escolhas de vida, porque se a gente logo de cara ver uma situação e julgar, esse julgamento será sempre através de nossos conceitos que podem não ser o mais correto. Não vivemos todas as situações e a vida dos outros para julgar de imediato, certo?


Uma coisa há em comum nessas duas famílias: o egoísmo prevaleceu nas duas situações. Os pais escolheram essa vida. Eles têm o direito de escolher o mesmo para os filhos?


Será que no caso da família Souza, dar amor, carinho, educação, escola e cuidados básicos basta, mesmo que não existam quatro paredes? Talvez saibamos no futuro quando essas crianças crescerem. Mas por observação de outros casos, infelizmente, a tendência é reproduzirem situações de família.


Em contrapartida, existem famílias de excelente situação financeira ou com grandes problemas de relacionamento familiar onde perdem seus filhos para as drogas e felizmente o contrário também acontece, ou seja, famílias desestruturadas com filhos bem-sucedidos.


Enfim, vamos pensar o que faremos com nossos filhos ou o que já fizemos e se estamos no caminho mais próximo do que desejamos para eles, não esquecendo que eles têm direitos à escolhas também.


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