LIVRO E CASEIRICE: A REVOADA - (O ENTERRO DO DIABO)

Por LUCIANE MESQUITA As Caseirices da Lu


Minha 1ª experiência, anos atrás, com Gabriel García Márquez não foi boa. ‘O Amor nos tempos do Cólera’ chegou pra mim, trazendo uma perspectiva inesperada. O amor impossível não me agradou no momento em que eu vivia um amor bonito, positivo, cheio de projetos.


Larguei o livro! E não quis mais saber de Gabriel…


Agora dei nova chance. Com cautela porém...


Resolvi ler Gabriel a partir do seu primeiro livro e assim acompanhar seus passos, amadurecimento e contextos.


Seu 1º livro, A Revoada, tocou-me profundamente. Morte, solidão, vida difícil... contexto duro, mas retratado com sensibilidade assombrosa. Suas frases e pensamentos são de beleza infinita. Encontrei alma e a essência do ser humano na sua capacidade de ver além do racional, ver com profundidade o que é a vida, o que a forja, o que a engrandece ou o que a destrói. Eis o olhar desse escritor e sua capacidade de expressar, em quase poesia, o que vê.


A Revoada não é o realismo fantástico dos seus livros famosos. A Revoada é realismo puro. Conta a morte de um sujeito que tornou-se um ‘diabo’ aos olhos do povoado de Macondo, sob o ponto de vista de três pessoas que conviveram com ele: o senhor que o abrigou, sua filha e o seu neto.


Meu ímpeto foi de parar por aí. Guardar esse tesouro na memória sem maculá-lo com os demais livros...


Entretanto, ao terminar de ler, descubro o documentário na Netflix: ‘Gabo: a criação de Gabriel García Márquez’.


Bom, aí... lascou... já quero ler seu segundo livro: ‘Relato de um Náufrago’.


E a Caseirice que acompanhou a leitura?


Há uma passagem em que a anfitriã prepara um banquete para o dito ‘Diabo’, mas ele, com todo o seu mau jeito, pede capim... isso mesmo: capim!! Aí não deu pra mim... pensei numa salada, num suco de clorofila... mas, percebi que na verdade eu, indignada com a desfeita, imaginava as delícias à mesa. Resolvi optar por um delicioso bolo gelado, de abacaxi com coco! Além de ter sido bem mais prazeroso, refrescou o calor abafado e agonizante de Macondo.


Experimente você também!


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