MAILSON: O GOVERNO NÃO PODE RECUAR ANTES DO TEMPÓ

O ex-ministro da Fazenda, Mailson da Nóbrega, escreveu este artigo para a versão on line da revista Veja, sob o título “Previdência: o governo não pode recuar antes do tempo”, sub-título:”Ao admitir que pode aceitar alterações em partes da reforma, o presidente enfraquece a posição negociadora do governo e despreza os riscos de fracasso”

Eis o texto:

“Em reformas complexas e polêmicas como é a da Previdência, o governo precisa dispor de um leque de estratégias, que incluem a preparação da proposta, a forma de lidar com os grupos contrários à medida, a comunicação para convencer a maioria, as negociações com o Congresso, os pontos inegociáveis e aqueles nos quais se pode ceder sem colocar em risco os objetivos básicos.

O governo não pode ceder ou sugerir que vai ceder logo na partida, mas é o que fez o presidente Jair Bolsonaro, em encontro com jornalistas, segundo o jornal Valor. Ele disse ser possível uma mudança na idade mínima para aposentadoria das mulheres, que na proposta está prevista em 62 anos (65 anos para homens).

Ainda segundo o jornal, o presidente também admitiu que pode ser alterada a regra para o Benefício de Prestação Continuada (BCP). Haveria, no dizer dele, “gordura”. Hoje, o BCP é de um salário mínimo e beneficia idosos pobres a partir dos 65 anos. Na proposta, o valor seria de R$ 400 reais, concedido a partir de 60 anos. O valor de um salário mínimo só beneficiaria os que completassem setenta anos.

O presidente não poderia admitir explicitamente que existe “gordura” na proposta. Nem admitir que aceita alterações nos seus parâmetros e valores, antes mesmo do início da tramitação da reforma na Câmara dos Deputados. Isso enfraquece a posição negociadora do governo e emite um mal sinal para o Congresso, qual seja o de que o governo pode ceder até mais do que o admitido por Bolsonaro.”

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