MAZZAROPI E OS FUZILEIROS NAVAIS

Por BENTO CRUZ

Histórias de um Velho Marinheiro

Na década de sessenta eu andava com uma turma de fuzileiros navais que gostava de malhar e lutar, entre eles estavam: Travanca, Bernadão, Bagdá, Coutinho que chegou a desfilar com Marta Rocha na Bahia e o Cabeça Reta, que eu apresentei para o Hélio Gracie. Ele tinha talento e passou a fazer parte da minha equipe na Academia.


Na Academia Gracie foi desenvolvido o Jiu-jitsu brasileiro, Brazilian Jiu-Jitsu ou BJJ. Os lutadores, foram, portanto, os pioneiros nessa arte marcial. Eu como era sparing do Mestre Carlson Gracie, pude aprender muito. Carlson Gracie deixou um grande legado, além de ser o pai da Kyra Gracie, pentacampeã mundial de jiu-jitsu e a primeira mulher de sua família a conquistar uma faixa preta. Ela é uma grande representante de tudo o que vi nascer.


Amávamos o que fazíamos e logo cedo aprendi a trabalhar por benefício próprio, ou seja, cuidar do meu corpo e da minha mente. Enquanto filho de diabéticos, quando soube que teria tendência, passei a cuidar e apreciar mais o sabor da frutose do que do açúcar, o que me levou a não comer muitos doces e a sempre manter minhas taxas dentro dos devidos limites.


Sobre a minha turma de fuzileiros, quando nos reuníamos fazíamos sucesso, tanto que fomos convidados a desfilar no carnaval do Rio de Janeiro. Jornalistas e fotógrafos gostaram do que viram, pois logo depois recebemos um convite para participarmos do filme de Mazzaropi: Matemática Zero, Amor Dez, que teve direção de Carlos Hugo Christensen. Entre os atores principais estavam: Susana Freyre, Alberto Ruschel e Agildo Ribeiro.


A temática do filme de 1960 já abordava a luta da mulher. Ele contava a história de Julieta que tinha vontade de estudar, porém era casada com o médico, Carlos Santos, machista, que não aprova sua vontade de obter conhecimento.


Depois do sucesso do filme, cada um acabou tomando um rumo diferente, uns foram para a polícia federal, outros foram servir em outra base, mas ficou a lembrança do quanto nos dedicamos e nos divertíamos, fazendo o que gostávamos.