Meninas-mães: o papel da escola

Atualizado: Fev 17

Por CÉLIA LADEIRA MOTA

Na entrevista que concede regularmente no portão do Palácio da Alvorada, o presidente Jair Bolsonaro se referiu a uma proposta da ministra Damares Alves, dos Direitos Humanos, quando aconselhou a abstinência sexual aos adolescentes. O presidente lembrou, então, na entrevista, da filha que vai fazer dez anos e entraria num período de risco de gravidez. É um risco real.


De fato, de acordo com a ONU, 7,3 milhões de adolescentes se tornam mães a cada ano ao redor do mundo, das quais 2 milhões são menores de 15 anos. De acordo com o relatório, o Brasil tem 21 milhões de adolescentes com idade entre 12 e 17 anos, sendo que cerca de 300 mil crianças nascem de mães nessa faixa etária.


Não se identificam, porém, nos relatórios, as origens sociais destas meninas-mães. Elas não estão nas escolas privadas e muitas já abandonaram até a escola pública. Algumas chegam aos vinte anos com dois, três filhos para criar. De acordo com a professora de Biologia Lana Magalhães, a maioria das adolescentes que engravida abandona os estudos para cuidar do filho, o que aumenta os riscos de desemprego e dependência econômica dos familiares. Além disso, a ocorrência de mortes na infância é alta em filhos nascidos de mães adolescentes.


A situação socioeconômica, além da falta de apoio e de acompanhamento da gestação contribui para que as adolescentes não recebam informações adequadas em relação à gravidez. Também é grande o número de adolescentes que se submetem a abortos inseguros, usando substâncias e remédios para abortar ou em clínicas clandestinas. Isso tem grandes riscos para a saúde da adolescente e até mesmo risco de vida, sendo uma das principais causas de morte materna. Esta não é uma situação atual, mas se repete nas décadas mais recentes. Em pesquisa feita por mim nos hospitais regionais de Brasília, há alguns anos, constatei o número grande de quase crianças se tornando mães, gerando outras crianças desnutridas e mais frágeis.


Considero que tão importante quanto aprender informações do currículo escolar, sejam administradas informações nas escolas por parte do Ministério da Saúde, juntamente com os Ministérios da Cidadania e da Educação sobre os riscos da gravidez de alto risco. Por falta de apoio e de dados, quantas meninas pobres no Brasil se tornam mães antes do tempo, prejudicando os estudos, a vida profissional, o futuro da família.


Quantos de nós conhecemos as estórias das meninas que se tornaram mães aos quinze, dezesseis anos. Nem sempre contam com o apoio dos pais ou das mães. Sabem que perderam o futuro, ficaram abandonadas, criando filhos que também sofrerão abandono. Interromper este abandono é vital para que se altere o círculo vicioso da pobreza no Brasil. Para que as crianças que se tornam mães antes de crescerem possam ter outro futuro.


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