NADA COMO TER POETA EM VIAGEM PRESIDENCIAL: TURIBA FEZ INVEJA A TANCREDO

A viagem do presidente eleito Tancredo Neves a sete países, antes de tomar a posse que não tomou, foi extremamente cansativa para os 4O jornalistas que o acompanharam.

Da neve de Washington às noches calientes da Cidade do México, a trupe de escribas nem notou que o ancião com disposição de menino já dava sinais de padecimento. Era um resfriado aqui, era uma tosse acolá, encobrindo a grande verdade do corpo.

Chegamos a Buenos Aires, última parada antes de voltar à terra. Os jornalistas organizaram uma homenagem ao velho estadista. Sabiam que dali para a frente o mineiro seria tragado pelo cordão de seguranças e por outro cordão bem mais cruel, o dos puxa-sacos. Ninguém mais privaria com o bom velhinho que nos sorria, apesar da dor que deveras sentia.

Fizemos a vaquinha para a champanha e o bolo com os míseros dólares que nos sobraram. Formou-se a roda para aguardar a descida do casal presidencial da suite do hotel, acompanhado do porta-voz Mauro Salles e do neto Aecinho (era assim mesmo que o champávamos, bem garoto quer era).

Escolhemos o orador para saudar o presidente: recaiu no jornalista Carlos Henrique de Almeida Santos (SBT), porque o pai dele, o falecido deputado Almeida Santos, havia sido deputado federal e contemporâneo de Tancredo no Congresso.

Tudo pronto para começar, quando alguém, fazendo a contagem da trupe, notou que faltava um. Era o misto de jornalista e poeta Luiz Turiba. Procuramos daqui, dali, e nada. Onde estava o Turina? Mistério total.

Começamos sem ele, porque o presidente eleito dava mostras de extremo cansaço. No meio da homenagem eis que Turiba adentra o salão de recepções, com um sorriso matreiro e feliz de quem esteve em algum paraíso portenho.

E tinha sido mesmo. Quebrou o mistério:

– “Vocês vão morrer de inveja. Passei o dia na casa do grande poeta Jorge Luis Borges, a convite dele de sua companheira Maria Kodama…”

Até o Dr. Tancredo ficou com inveja.

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