O CASAMENTO PERFEITO QUE NÃO É TÃO PERFEITO ASSIM ... PARTE 1

Por RENATA MALTA VILAS-BÔAS

Coluna Vida em Família: Questão de Direito



Maria Clara casou-se com Rafael e durante o primeiro ano de casamento o relacionamento foi maravilhoso. Rafael parecia adivinhar todos os desejos de Maria Clara. Bastava ela pensar em alguma coisa que ele providenciava.


Rafael ajudava a Maria Clara a comprar as suas roupas, vivia lhe presenteando com vestidos, saias, sapatos. Maria Clara ficava encantada. Rafael sabia quais roupas mais combinavam com Maria Clara, melhor do que ela.


Rafael ajudava na maquiagem. E Maria Clara precisa ser sincera, depois que Rafael surgiu em sua vida, passou a se vestir muito melhor.


Estavam sempre juntos. Rafael gostava de levar Maria Clara para os eventos da empresa que ele trabalhava. Uma empresa muito tradicional, que fazia questão de oferecer um jantar por mês aos seus diretores. O presidente queria que eles se sentissem como uma família.


Não era bem assim que Maria Clara se sentia, mas ela sempre ia para não decepcionar Rafael.


O único momento em que não estavam juntos era na quarta à noite, quanto ele saia com os colegas, para assistir futebol na casa de um deles. E como eles se revezavam, um dia seria na casa deles.


Rafael brincava falando que era a noite dos rapazes e que ela deveria ter uma noite das meninas também.


Maria Clara achava esquisito “ter uma noite” marcada no calendário para sair com alguém. Mas, como às quartas-feiras sempre tinha jogo de futebol na televisão, resolveu nem discutir. Assim, às vezes, saia com as amigas, às vezes ficava em casa sozinha com seus livros e suas músicas preferidas.


O tempo foi passando e o casamento estava indo bem. Financeiramente, tinham conseguido juntar um bom dinheiro e faziam uma série de aplicações financeiras. Maria Clara era excelente com os números e entendia do mercado financeiro como ninguém, assim, o que eles ganhavam ela aplicava, e os resultados, estavam sendo excelentes.


Com a estabilidade financeira, surgiu uma nova sensação que Maria Clara, por nunca ter experimentado, não sabia o que era. Mais tranquila, começou a reparar na casa, no Rafael e em sua vida. Algo estava estranho.


Conversando com a sua amiga Estela, esta começou a especular o que poderia estar acontecendo de errado com o casamento de Maria Clara, e rapidamente apontou uma série de erros que ela encontrou e que se Maria Clara não consertasse rapidamente, isso significaria o divórcio, na certa.


O primeiro ponto que deveria ser combatido eram as saídas das quartas-feiras. Isso significava traição na certa. Maria Clara precisava seguir Rafael para ver com quem ele estava se encontrando. Porque pelo tempo, deveria ser um relacionamento de longa data. E Estela se prontificou a ir com ela atrás de Rafael, já na próxima quarta-feira.


Maria Clara achou aquilo muito estranho, seguir o marido para ver se ele estava traindo ou não era algo bizarro demais. Se ele estivesse traindo o casamento já acabava ali mesmo, mas se ele não tivesse traindo o casamento também acabaria ali também, pois tanto num caso quanto no outro a confiança tinha acabado.


Mas aquilo começou a corroer Maria Clara. Cada vez que ela olhava para Rafael a dúvida lhe assolava. Será que ele a estava traindo?


E assim, foram passando os dias, até chegar quarta-feira.


Estela liga para Maria Clara e pergunta se está tudo certo para elas seguirem Rafael naquela noite. Maria Clara respira fundo e decide ir em frente com esse plano. Precisa saber, precisa acabar com essa angústia.


Passa no trabalho de Estela e fica na porta da empresa para esperar sair do trabalho.


Maria Clara, mais uma vez, pensa em desistir, mas Estela a incentiva a ir em frente.


As duas seguem o carro de Rafael que se dirige para uma casa mais afastada da cidade. Ele se identifica no portão, e entra. Passado um pouco sai de lá um carro com duas mulheres. Maria Clara e Estela permanecem do lado de fora da casa. Não percebem nenhuma movimentação estranha. Ao contrário, até parece que não tem ninguém em casa. Passado umas três horas. Na penumbra Maria Clara percebe que as mulheres retornam e pouco depois Rafael deixa a casa e se dirige para o apartamento deles.


Maria Clara fica intrigada com aquilo, mas retorna para casa deixando Estela primeiro em casa.


Chegando em casa encontra Rafael já de pijama pronto para dormir, e ela pergunta como foi o jogo e ele diz que correu tudo bem que o time que ele estava torcendo era o campeão daquela rodada. Chega na cesta de roupa suja e a camisa dele estava cheirando a suor e a cerveja, parecia ter tido uma noitada daquelas. Mas aquela camisa, não estava dentro do contexto daquela casa com as luzes apagadas e o silêncio que pairava sobre ela...


Maria Clara fica pensativa... será que está se deixando levar pela sua imaginação? Será que está vendo coisas que não existe?


Depois daquela noite começou a olhar Rafael de uma forma diferente.


Na manhã seguinte, Rafael lhe sugeriu usar o terninho bege com a blusa lilás, pois realçava o seu tom de pele e isso lhe dava a aparência mais juvenil. Maria Clara brincou com ele dizendo que já estava se sentindo cansada e que queria mesmo era um bom banho de banheira. Ao que ele sugeriu que eles poderiam agendar um SPA para o final de semana.


Rafael começou a providenciar tudo para passarem o final de semana no SPA que ele falou que estava muito interessado em conhecer, pois tinha inaugurado recentemente na cidade.


Maria Clara se surpreendeu com essa informação, pois não sabia que tinha um novo SPA na cidade, aliás nem sabia quais eram os SPAs da cidade...


Mas deixou a cargo do Rafael agilizar essa parte de planejar o final de semana deles no SPA, afinal ele parecia muito mais empolgado do que ela...


Qual será o segredo de Rafael?


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