O consenso no jornal que prega o dissenso

Atualizado: Fev 17

Por CÉLIA LADEIRA MOTA

A leitura de jornais hoje em dia nos coloca num labirinto de informações desencontradas, na maioria deturpadas e pouco confiáveis, dada a necessidade de o jornal tomar partido, ou ser do contra não só em relação ao governo como às demais instituições, como o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. A Folha de São Paulo é um destes exemplos, com matérias e colunas que constroem o descrédito em relação aos poderes da República. Por isso, quero destacar, meio que perdido no cipoal de notícias pouco confiáveis da Folha, o artigo escrito por Oded Granjew, presidente do Instituto Ethos, em que analisa porque os países escandinavos exibem grau de desenvolvimento maior entre as nações.


Para o analista, a busca de consenso é a razão do crescimento social daqueles países. Convidado a visitar a Suécia, Granjew investigou o processo que levou a Suécia ao estágio atual. O caminho – escreve o autor – “começou a ser trilhado a partir do momento em que o governo e os políticos chegaram a alguns consensos. Em primeiro lugar, acordaram que para que o país desse certo seria fundamental haver relações harmoniosas entre os cidadãos. E que, para isso, seria fundamental que houvesse sentimento de justiça, solidariedade e confiança entre as pessoas”.


A fórmula está bem distante do que acontece hoje em dia no Brasil, onde a política se tornou tóxica e onde a agressividade substitui as boas relações não só entre políticos e ministros como entre juízes, procuradores e advogados, com a malícia nada sutil de muitos jornalistas. Será que estamos numa encruzilhada onde não existe espaço para consenso no Brasil?


Vejamos a fórmula descoberta na Suécia por Granjew: “para estabelecer relações de confiança, a regra é transparência total. Todos os dados e informações governamentais e de empresas e indivíduos que são de interesse da sociedade são públicos. Os salários e benefícios dos políticos e dos servidores dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário são transparentes e absolutamente modestos, compatíveis com a renda da população e com as verdadeiras necessidades do exercício dos cargos”.


Outra regra simples, também seguida pelos governos da Noruega, Dinamarca e Finlândia, é a da desconstrução da desigualdade. A expressão “todos são iguais perante a lei” passa a valer para todos, do cidadão mais pobre ao mais rico. “Todos devem ser incluídos na sociedade; nenhuma pessoa ou grupo deveria ser marginalizado ou discriminado. Tolerância e respeito entre os diferentes deveriam ser praticados, e a diversidade, valorizada”, afirma o autor.


Um caminho para diminuir os índices de desigualdade é oferecer educação púbica gratuita e de qualidade para todos, e isso vale para educação básica, superior, pesquisa e desenvolvimento científico. A partir da educação se pode garantir oportunidades iguais de crescimento para todos. Oded Granjew sugere ainda a criação de um órgão técnico independente, com autonomia para dar parecer sobre todas as decisões do governo do ponto de vista das desigualdades. A composição dos quadros políticos também deve ser um espelho da própria sociedade para que as decisões possam beneficiar a todos e, principalmente, os mais necessitados.


São bons exemplos de sociedades em que todos se respeitam e constroem igualdade. Afinal, não foi inútil a leitura dos jornais de domingo hoje.