O EMPREITEIRO, O SENHOR DA NOITE E O ORELHÃO

Murilo Mendes, o patriarca da Mendes Junior que morreu em Minas nesse fim de semana, era o empreiteiro de estimação de Tancredo Neves.

Preferido, diga-se, por longa amizade, não por artimanhas e partilhas não republicanas.

Murilo para ela era aquele amigo a quem podia telefonar de madrugada sem receber carão como resposta.

Por isso mesmo Tancredo abusava desses telefonemas a Murilo no avançado da noite, que é hora boa de falar inconfidências ou da última história folclórica envolvendo Magalhães Pinto e adversários da UDN mineira.

Tancredo, porém, não deixava pistas sobre esses telefonemas para nenhum órgão de informação.

Por volta de meia noite descia do apartamento funcional de senador, envergando seu robe de chambre, atravessava a calçada e usava o orelhão da praça em frente ao prédio.

Do outro lado da linha, em Belo Horizonte, Murilo Mendes informava as últimas da política de Minas a seu velho e noctívago amigo.

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