O FUNCIONAL E O DISFUNCIONAL

Por LUCINEIDE CRUZ

Coluna Bate-Papo Fácil

Um dia destes levei um susto quando olhei para a janela de uma vizinha e vi que lá haviam novos moradores, uma outra família e daquela que ali ficou por mais de trinta anos, só restaram as paredes como testemunhas.


Eu fiquei chocada! Talvez porque saiba que um dia serão as paredes do meu lar que abrigarão novas pessoas. Me dei conta de eu a palavra MEU, no sentido material, de fato praticamente não existe, já que daqui nem o próprio corpo levamos.


Me preocupa tudo que é disfuncional, aliás palavra que passou a fazer sentido para mim quando estudei a teoria da burocracia, pois assim como água demais, açúcar demais, sal demais fazem mal, o apego demais a algo pode levar a disfunções, como no caso da burocracia e dos que trabalham demais.


Trabalhar, ser produtivo é uma benção, mas o excesso ou o apego exagerado não é saudável e nem gera resultados saudáveis. O preço a ser pago, pode cair tanto na família, quanto em uma má gestão de equipe do trabalho, no próprio corpo ou até mesmo em uma entrega de produtividade ruim, fruto de cansaço mental, por exemplo.


Produtividade está mais atrelada a disciplina, foco, planejamento do que propriamente a horas e horas intermináveis de trabalho com pouco resultado. Não é necessariamente a quantidade de horas que faz um bom trabalho, mas sim a qualidade do tempo, da dedicação, do estudo que é empregada.


Lembro que quando era pequena cansei de estar com um gibi da Turma da Mônica no meio dos meus livros. Para os meus pais eu estava estudando, mas na verdade eu estava era pensando em como o plano infalível do Cebolinha daria errado.


Meu pais pararam de ficar no meu pé e o meu irmão de me salvar na recuperação. Aliás devo a ele o fato de nunca ter reprovado, pois como ele era liberado de fazer as provas finais, por ter média o suficiente para passar, vinha de férias mais cedo para casa e ele me fazia de fato estudar. Tempos mais tarde, com a minha irmã aprendi a finalmente gostar de passar mais horas estudando.


A pandemia e o teletrabalho alteraram a rotina e a forma de produzir, o que pode ser tanto ruim quanto bom, seja como for, novos aprendizados são necessários. É preciso identificar o que não é funcional e aprender a trabalhar de forma produtiva tendo família em casa, crianças correndo, vizinhos escandalosos, televisão, geladeira e cama sem o chefe estar olhando.


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