O MELHOR DO MUNDO

Por ANDRE R. COSTA OLIVEIRA



O Melhor do Mundo leva esse nome porque é, de fato, o melhor do mundo. Traz em mim as mais tenras lembranças de infância. Gosto saboroso das antigas férias em família, quando a molecada viajava empilhada no banco traseiro do Chevette, ou no porta-malas da Belina, em meio a bagagem. É interessante que o meu Melhor do Mundo entrou na adolescência junto comigo, no final das noites de cervejada, improvisando o antídoto para a nossa bebedeira imprudente. 1 - feijão preto bem cozido com paio e toucinho.

2 - arroz branco cozido com pimenta de cheio. 3 - carne moída duas vezes (patinho), refogada e temperada da seguinte forma: sal, pedaços pequenos de alho, cebolas e azeitonas. Coloque urucum, açafrão, pouca pimenta malagueta. Uma vez estando tudo isso pronto, use uma panela de ferro. Coloque manteiga, o arroz, o feijão e a carne moída por último. Misture tudo. Essa é a base do legítimo mexido. O melhor do mundo.

Adicione dois ovos, continue misturando. Couve refogada, abóbora cozida em pedaços, mais um pouco de sal.


Termine a nossa “argamassa” com queijo, também misturando até que derreta em meio a toda essa profusão de cheiros e sabores. Finalmente, eu desejo a vocês as melhores e as mais deliciosas recordações de outrora.


“No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,

Eu era feliz e ninguém estava morto.

Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos, E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer. No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,

Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,

De ser inteligente para entre a família,

E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.

Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.

Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.” (...) (Aniversário - Fernando Pessoa, 1929)


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