O MILAGRE DOS SACOS DE DINHEIRO QUE CHEGAVAM A BRASÍLIA E NÃO ERAM ROUBADOS

Na época em que está havendo uma relativização do conceito de interesse público, e total abastardamento do dinheiro público, mais vale relembrar o que se passou na época da construção de Brasilia.

A lenda edificou uma derrama de dinheiro vivo das empreiteiras (sim, naquela época já existiam) que recebiam da boca do caixa dos endinheirados institutos de aposentadoria no Rio (IAPETEC, IAPB e outros) para pagar as loucuras de JK Tal era o folclore, tornado verdade por mil vezes reoetuda pela raivosa UDN de Carlos Lacerda.

Uma testemunha dos fatos, o coronel Affonso Heliodoro, que era um capitão da Força Pública de Minas e ajudante-de-ordens do presidente Juscelino Kubistchek, narra uma versão bem diversa da farra de malas chegando de avião do Rio, para custear a bandalha geral do planalto.

O mineiro Israel Pinheiro era o todo-poderoso das obras de construção. Nada se fazia sem o seu aval. Presidente da NOVACAP, com carta branca total dada pelo presidente Juscelino, exerceu seu mandato com mão de ferro. Mais parecia um contador que um politico do PSD mineiro. Heliodoro lembra que Israel era o terror dos empreiteiros e prestadores de serviços desde os mais simples, pela mania de tentar baixar o preço de tudo, paras começo de conversa.

No dia do pagamento dos funcionários públicos, engenheiros e operários, Dr, Israel – como era chamado – organizava um beija-mão, e ele próprio enregava a cada um os envelopes com os salários. O dinheiro chegava em sacos (não nas malas vulgares de hoje) do Rio, em aviões da FAB. A cada um, tratava pelo nome.

Um certo mês, O voo do avião da FAB para a ainda não inaugurada Brasilia apresentou problema técnico a bordo, e o piloto relatou a Israel uma , uma infiltração de água no porão de carga que molhou todos os sacos de dinheiro. Havia suspeita de que as cédulas havia colado uma nas outras, com perda total da remessa pelo matiz do papel, naquele tempo, bem vagabundo.

Consternação geral na pequena pista de pouso perto do Catetinho. Era o mês de pagamentos que ameaçava para o ralo.

Israel não se deu por vencido. Ordenou enfileirar os sacos molhados à sua frente, sentou-se no chão, abriu um por um, conferiu cédula por cédula , horas a fio, separou as mais molhadas, secou-as e ao final verificou que nenhuma havia sido inutilizada.

Agindo como gerente de banco do interior, conferente e guarda-livros, o importante politico de Minas, número 2 da construção de Brasilia, que respondia somente a JK, passou a noite toda pagando à sua gente, chamando nome por nome, contente que só.

1 visualização