OS CARNAVAIS E A VIDA

Por BENTO CRUZ

Coluna Histórias de um Velho Marinheiro

Eu morava no Rio de Janeiro e estava solteiro. Fazer comida não era o meu forte o jeito era conseguir um lugar para almoçar. Nesta época como eu morava no centro, na Mem de Sá, achei um restaurante italiano que fazia uma deliciosa comida caseira.


De tanto almoçar no mesmo lugar, conheci Leila, a filha do dono. Ela era uma mulher bonita e alta. Não demorou e começamos passamos a conversar. Ela gostava de jiló e eu só o conhecia por meio da música cantada por Dalva de Oliveira, chamada "Que Nem Jiló", principalmente em razão do trecho: Saudade assim faz roer e amarga qui nem jiló.


Foi por meio do Jiló que a conversa começou a crescer. Saímos e começamos uma tentativa de namoro, que não foi muito à frente, mas nunca esqueci do Jiló, sem a coragem de experimentar algo novo, o beijo não teria acontecido.


Mas... Eu continuava solteiro.


Um amigo, com que eu dividia o apartamento, este já na Rua Santo Amaro no Catete, convidou para passarmos o carnaval em Ubá, Minas Gerais, terra de Ary Barroso, grande compositor brasileiro, que popularizou o samba-exaltação e é autor da música Aquarela do Brasil.


Ficamos hospedados na casa dos pais da namorada dele. Lá conheci uma amiga dela, Gina.


O pai desta era um dos mais ricos da cidade. O carnaval foi incrível, eu com Gina e meu amigo com sua namorada, mas na quarta-feira de cinza já estávamos, eu e ele, de volta ao Rio de Janeiro.


Pouco tempo depois, fomos rever as meninas em Ubá. Nessa ida, conheci o pai de Gina, que logo me disse que quem casava com uma de suas filhas, tinha um bom cargo em sua empresa. O problema era que a oferta era obrigatória. Gina era linda, mas eu não queria me tornar refém de sogro.


Eu tinha batalhado pela minha independência financeira. Literalmente dei o meu sangue para subir de posto nele e não queria abrir mão da liberdade de ter o meu próprio dinheiro para me submeter a uma condição de dependência.


Perdi Gina, mas tempos depois em outro carnaval, no Recife, conheci uma mulher maravilhosa, Maria Luiza, com quem passei trinta e dois anos casados.


A quantidade de tempo poderia ser mais, mas infelizmente um AVC atrapalhou nossos planos, porém a qualidade do que vivemos, marcou definitivamente a minha alma, por ter sido ela o grande amor da minha vida.


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