OS ERROS E A DESLEALDADE DOS GOVERNANTES

Por MIRIAM DUTRA


Muitas descobertas indesejadas tornaram ainda mais dramática esta semana, que já era de choro e de revolta.


Os dados oficiais garantiam que a Espanha teria, hoje, 200 mil pessoas infectadas pelo Covid-19 e que o número de mortos teria passado do 20 mil. Isso depois de passarmos um mês em severo regime de confinamento e de isolamento horizontal.


Só funcionam supermercados e farmácias, agora com a companhia dos trabalhadores da construção civil e dos serviços domésticos.


Se eu sair à rua, a polícia me questiona o que estou fazendo fora de casa. Para as compras de manutenção e de subsistência, tenho de limitar-me ao supermercado mais próximo, regra que vale também para as idas à farmácia.


Levar um cachorro para o passeio obrigatório, tem de ser no período máximo de dez minutos.


Em caso de desobediência a esse limite, você será castigado no bolso, com multas que começam em 600 Euros.


Essas são as duras regras do regime de confinamento imposto aos espanhóis, para combater ou (no mínimo) conter a expansão do coronavírus.


Você, quando se submete a um regime tão duro, espera a reciprocidade do governo, que o Estado retribua (ou ao menos complemente) os imensos sacrifícios feitos pelos cidadãos, golpeados em suas liberdades e seus direitos sociais mínimos. Mas isso não é o que acontece, ao verificarmos coisas básicas como as informações diárias emitidas pelo um comitê escolhido pelo governo.


Descobrimos esta semana que:


Os números divulgados pelo governo não são verdadeiros. Mostram, apenas, os óbitos ocorridos dentro de hospitais. Escondem as mortes no ambiente doméstico e, pior ainda, as dos idosos, dizimados em asilos sem qualquer fiscalização ou controle.


É lícito projetarmos que esses 20 mil mortos sejam, na verdade, 40 mil ou 50 mil. No mínimo. Falta a clareza adotada, por exemplo, na França, onde se explicita a realidade de que suas estatísticas oficiais retratam, apenas, os dados colhidos nos hospitais.


Essa perfídia gerou revolta nos espanhóis. Vimos o pranto indignado de muita gente, na TV, expressando sua quebra de confiança nos responsáveis pelo gerenciamento da grave crise. No rastro da desconfiança vêm o medo, a insegurança, a ansiedade. Uma insegurança que resulta, também, no aumento (estimado em 30%) na venda de ansiolíticos e remédios para dormir, além de elevar a demanda de atendimentos psicológicos, por telefone, claro.


Mas os graves e dolorosos problemas que hoje vivemos podem ser apenas o preâmbulo de outro, mais duradouro, que afetará praticamente todas as famílias espanholas, inclusive as não-atingidas pelo Covid-19: a quebra da economia nacional. Segundo o FMI o desemprego poderá atingir 20 milhões de trabalhadores, praticamente a metade de toda a nossa população, e o PIB vai desabar: -9%.


Esta foi, realmente, uma semana dolorosa.


Fim de semana o governo prolongou o confinamento até 9 de maio.


As crianças até 12 anos poderão sair com os pais a partir de 27 de abril.


Alemanha já deu por terminada a crise do coronavírus. O desconfinamento será feito gradualmente.


Dinamarca também.


Só nos resta esperar, ficar em casa e seguir exigindo transparência do governo.


Estamos confinados em casa e com muitas pessoas já passando fome, afinal são 6 semanas sem dinheiro.


E que Deus nos proteja!


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