OS MINEIROS É QUE ESTÃO CERTOS!

Por BENTO CRUZ

Coluna Histórias de um Velho Marinheiro

Os mineiros é que estão certos! “Eles não perdem o trem”, porque chegam cedo nos lugares. No aeroporto, quando o destino é alguma cidade de Minas Gerais, pode observar que as cadeiras no portão de embarque, bem antes do horário do voo, estão quase todas ocupadas.


Eu deveria ter sido “mais mineiro”, uma vez. Por questões de pouquíssimos minutos, em uma viagem a trabalho para o exterior, eu quase perdi o embarque e teria que pagar a passagem de volta, além de ficar preso até o navio voltar, para que eu pudesse então ser julgado.


Tudo isso aconteceu porque, quando estávamos atracado em Fort Lauderdale, a Veneza do Norte, nos Estados Unidos, resolvi ir, no dia do embarque, fazer compras com uns amigos em Miami, já que eu estava de carro.


Eu havia alugado um carro para ganhar dinheiro extra com translado de marinheiros, no período em que ficamos em terra. Como a distância era pouca, cerca de uma hora, fiquei tranquilo.


Só que, normalmente como acontece com quem vai às compras com uma turma, acabamos saindo mais tarde que o previsto, mas... ainda estávamos com uma folga de tempo.


O problema foram os imprevistos... Simplesmente ninguém lembrava o lugar onde o carro estava estacionado. Ficamos horas procurando. Já tínhamos dado como certo que ele havia sido roubado, quando o pessoal de apoio do lugar fez uma averiguação e identificou que estávamos procurando em um estacionamento quando o carro estava em outro.


Nisto o relógio do tempo continuava funcionando e o horário do embarque se aproximando.


Entramos no carro e eu estava a “mil por hora”, quando nos deparamos com uma bola de fogo, em razão de um motorista que estava na nossa frente, ter batido em um muro.


Em uma fração de segundo tivemos que escolher entre enfrentarmos o fogo ou perdermos o navio. Não tivemos dúvida e eu acelerei! O carro esquentou, mas não viramos churrasquinhos. Olhei e vi que somente nós havíamos passado, os outros carros pararam.


Deixei meus amigos para embarcarem, fui devolver o carro e a agência me levou para o porto. No navio haviam duas escadas para entrar, quando cheguei, a primeira já havia subido, corri para a segunda que era destinada aos que chamávamos de “sangues azuis”, ou seja, os oficiais da marinha. Subi em uma velocidade recorde. Assim que pisei no navio vi a última chance de embarque subindo.


Embora a aventura tenha dado certo, o medo das consequências foi grande.


Como disse, os mineiros é que estão certos. Embora fique a história para contar, o final dela poderia ter sido outro e ter comprometido uma boa parte da reserva de dinheiro que estava fazendo com a minha família para comprarmos um imóvel, mas esta é uma outra história...


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