PAQUETÁ: REFÚGIO DE PAZ E TRANQUILIDADE NA BAÍA DE GUANABARA

Por LÉO LADEIRA

Coluna Patrimônio Histórico, Turismo & Cultura

Em época de turismo em meio à pandemia do novo coronavírus, quando muitos optam por locais menos aglomerados e mais sossegados, a Ilha de Paquetá, no interior da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, pode ser considerado um destino perfeito.


A cerca de 1 hora de barca da Praça Quinze de Novembro, Paquetá é na verdade um arquipélago formado por diversas ilhas e ilhotas. Trata-se de um bairro preservado pelo seu isolamento geográfico, vinculado à Subprefeitura do Centro, com cerca de 4.500 moradores fixos.

Como não é permitida a circulação de automóveis, as melhores maneiras de percorrer as ruas de terra da ilha são a bicicleta ou os carrinhos a motor que substituíram as charretes, e que podem ser facilmente alugados junto à Estação das Barcas.


Mas o ideal mesmo é percorrer Paquetá a pé, sem pressa, para contemplar os cenários que se descortinam sem se preocupar com aglomeração (nos feriados e finais de semana o fluxo de turistas aumenta).


Uma excelente pedida é pernoitar na ilha para ter mais tempo de caminhar com tranquilidade e com segurança, pois Paquetá praticamente não registra casos de assaltos. O bairro oferece opções acessíveis de hospedagem, como hotéis, pousadas, casas de temporada e o sistema Air BnB. A ilha também dispõe de diversas opções de restaurantes e bares, além de supermercado e padarias.


Natureza e História


Habitada por índios tamoios, Paquetá foi registrada pela primeira vez em 1555, por André Thevet, cosmógrafo da expedição francesa de Nicolas Durand de Villegaignon.


Com jeito de cidade do interior, a ilha reúne um rico patrimônio histórico que merece ser apreciado pelos visitantes. Entre as atrações estão a casa de José Bonifácio (na qual ele passou os últimos anos de sua vida), a Igreja de São Roque, a Casa de Artes, a Igreja do Senhor Bom Jesus do Monte, o farol da Mesbla, a famosa casa da "Moreninha", onde foram gravadas cenas da novela da TV Globo baseada no romance de Joaquim Manuel de Macedo; além de exemplares de construções do século XIX e início do XX, entre casas de chácara, chalés e casarões históricos.

Já o patrimônio natural se destaca por belas paisagens, como os vários rochedos arredondados (os boulders), trabalhados pela ação do vento e do sol. O Parque Darke de Matos também possui recantos especiais e mirantes que oferecem uma visão privilegiada do arquipélago.


Durante o passeio, o turista poderá apreciar flamboyants, buganvilias, mangueiras, coqueiros, amendoeiras, paineiras, além de observar a fauna de Paquetá, formada por aves aquáticas, como a garça, biguás, fragatas, atobás; inúmeros pássaros, como rolinhas, pardais, canários da terra, bem-te-vis, sabiás, tico-ticos; além de saguis, cães e gatos.


Infelizmente, as praias de Paquetá recebem a poluição da Baía de Guanabara e, por esse motivo, são impróprias para banho, mas o visitante pode percorrer toda a orla e conhecer as praias dos Tamoios, da Moreninha, José Bonifácio, das Gaivotas, Pintor Castagneto, além de recantos menos conhecidos, como a Ponta do Lameirão e Praia do Catimbau.  


Outra atração é a famosa "Maria Gorda", um baobá plantado há mais de um século na Praia dos Tamoios e medindo cerca de sete metros de circunferência.

A Pedra da Moreninha, localizada na praia de mesmo nome, costuma atrair muitos visitantes.


Aliás, Paquetá respira muita arte e cultura. Ao longo de sua história, a ilha atraiu vários escritores, pintores, músicos e outros artistas que escolheram Paquetá para viver ou passar temporadas. Alguns nomes famosos que habitaram a ilha foram Joaquim Nabuco, Gilka Machado, Evaristo da Veiga, Castagnetto, Facchineti, entre outros.  

O refúgio de D.João VI


Um dos mais famosos frequentadores e entusiastas de Paquetá foi o príncipe regente (e depois rei) D.João VI. Quando visitava a ilha, o regente se hospedava no chamado Solar D'El Rey, antiga chácara, e costumava assistir missas na Capela de São Roque.


Infelizmente o antigo solar está abandonado e interditado desde 2009, O público só consegue o registro do portão histórico, em pleno processo de deterioração. Praticamente em ruínas, com risco de desabamento, o imóvel de importância histórica e tombado pelo IPHAN, funcionou como a Biblioteca Popular. Hoje está à espera de restauração.  


Programe-se e conheça Paquetá, a chamada "Ilha dos Amores". É uma oportunidade ímpar de fazer uma viagem dentro da própria cidade.  


Fotos:

Alexandre Siqueira

Leo Ladeira


Fontes de Referência:

Portal ilhadepaqueta.com.br

Portal paqueta.com.br