PENNE TRICOLORE COM ALMÔNDEGAS DE CORDEIRO E MOLHO DE TOMATES, QUEIJO PECORINO E ESPECIARIAS

Por ANDRE R. COSTA OLIVEIRA


Hoje eu quero falar da Itália, berço do que foi o mais grandioso, magnífico e poderoso império do Planeta Terra. Hoje eu quero falar da Itália, genitora das artes da renascença. Hoje eu quero falar da Itália que povoou o mundo com as suas tradições incomparáveis. Da Itália do latim que nos comunicou nos cinco continentes outrora descobertos. Também da Itália moderna, do cinema de Fellini, dos desenhos de Pininfarina, da Milão cosmopolita e de sua riviera elegante ao Mediterrâneo.

Da Itália que se une em batalha épica, com os seus soldados de jaleco branco, combatendo monstruosa epidemia em 2020. Da Itália que defende a liberdade em seu verde, que defende a igualdade no seu alvo centro e a fraternidade - inegociável - no seu rubro extremo.

“Penne Tricolore” é uma massa elaborado e servida em três tons distintos: verde pelo espinafre; clara pela sêmola de grano duro; e vermelha pelo pomodoro (tomate) lá adicionado. Confeccionada em pequenos tubos, com ranhuras delicadas, esculpidas (sob a inspiração atemporal de Michelângelo ou Sanzio, assim eu acredito) para a melhor absorção de molho. Panela com água, um fio discreto de azeite, nenhum condimento. Colocar a massa após o líquido já estar fervendo, mexendo sempre. E daqui a pouco a gente continua... Vamos às almôndegas (polpettas) agora: - Paleta de cordeiro moída duas vezes; - Misturar bastante com as mãos; - Pouquíssimo sal com alho. - Confeccionar as esferas pequenas, com 80 gramas em média; - Panela bem quente com azeite comum (evitar o extra-virgem nesse caso); - Selar as almôndegas por 5 minutos; - Adicionar molho de tomate abundante, com um pouco de água; - Deixar ferver; - Adicionar pimenta calabresa moída na hora, noz-moscada e açafrão; - Nao parar de mexer em hipótese alguma; - Uma caixa pequena de creme de leite fresco; - Azeitonas picadas, para quem gosta. Ao perceber que as almôndegas já estão suficientemente cozidas, colocar alguns pedaços (em cubos) de queijo pecorino, para que derreta em meio ao molho. Em tempo: queijo pecorino (de leite de ovelha, animal bonitinho, peludinho, caprino cujo nome em italiano é “pecora”) é bastante comum nas regiões da Toscana, Sicília, Sardenha entre outras. Normalmente é bastante encorpado, salgado, rígido (o que pode variar pelo grau de maturação) e não menos delicioso. Derretido o queijo, terminamos essa parte.


Voltando agora ao penne tricolore: retirar o excesso de água, refogar com pouca manteiga. Nada mais do que isso. Não cometer a bobagem de se distrair e deixar a massa queimar no fundo da panela; Leonardo da Vinci não errava nos retoques... Montar o prato, adicionando algumas frutas doces (figos ou uvas) como acompanhamento, e que devem neutralizar o eventual excesso em condimentos. Sempre colocar um pedaço de pão (de sua escolha) também no prato.

Servir aos seus ilustres convidados, que lhe observam, persuasivos, desde a sua mais tenra noção de letras e de livros, e que formaram a essência da inspiração e do talento; compartilhe a mesa com Virgílio, Biondo, Sêneca, Dante, Boccaccio, Petrarca, Ariosto, Manzoni, Verga, Collodi (com o seu boneco de madeira inseparável), Pirandello, Svevo, Levi, d’Annunzio, Pavese, di Lampedusa, Bassani, Ungaretti, Calvino e Umberto (Eco). Buon appetito. Forza Italia.


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